Carta Z NotíciasTarcísio Meira: afinidade com o papel e capricho no sotaque gaúchoPoncho de lã de ovelha, grandes bombachas, camisa branca e lenço vermelho. Esta será a vestimenta de Tarcísio Meira em Hilda Furacão. O ator vai fazer o papel de um coronel gaúcho na minissérie escrita por Roberto Drummond e adaptada por Glória Perez, com estréia prevista para o dia 2 de junho. Bastante descontraído, Tarcísio demonstra afinidade na pele do estancieiro Possidônio e não pára de imitar o sotaque gaúcho antes da gravação. O ator ganhou intimidade com o jeito de falar do Sul desde 1985, quando ele interpretou o personagem Rodrigo Cambará na minissérie ‘‘O Tempo e o Vento’’, baseada na obra de Érico Veríssimo. ‘‘Sempre gostei de viver personagens gaúchos. Quando me chamaram para fazer o Possidônio não pensei duas vezes’’, garante Tarcísio.
Convidado pelo diretor Wolf Maya, Tarcísio vai contracenar durante cinco capítulos com Roberto Bonfim, que viverá um coronel baiano plantador de cacau na minissérie. A última participação de Tarcísio Meira na televisão foi em 1996, na novela ‘‘O Rei do Gado’’, de Benedito Ruy Barbosa, onde ele interpretou o chefe do clã dos Mezenga. Os dois atores não paravam de conversar antes de gravar a cena em que chegam no Montanhês Dancing Clube, local onde a prostituta Hilda Furacão, interpretada por Ana Paula Arósio, faz ponto.
Os coronéis aparecem depois que Hilda anuncia que aceita propostas de casamento. Wolf estava visivelmente empolgado. ‘‘As cenas com Tarcísio e Bonfim serão improvisadas. Eles não precisam de ensaio’’, elogia o diretor. Toda a empolgação de Wolf é confirmada na hora que começa a ser rodada a cena. Com textos curtos, Tarcísio dá um show de bom humor e improvisação.
Logo nos primeiros takes, o ator mostra o seu prestígio dentro da Globo e como pode mudar o rumo de uma gravação. O personagem de Bonfim era para ser chamado Filogênio de acordo com a sinopse, mas Tarcísio insistia em chamá-lo de Cilogônio. Moral da história: depois de uma breve conversa entre Tarcísio, Bonfim e Maya, o nome do coronel baiano acaba ficando Cilogônio. ‘‘Pedi ao Wolf para mudar e ele aceitou’’, confirma Tarcísio.
PersonagensResolvido o impasse, as gravações seguem aceleradas. Sentados primeiramente um em cada mesa, Tarcísio e Bonfim exploram ao máximo o perfil de seus personagens. Os dois partem então para a disputa para ver quem impressiona Hilda, que está sentada numa mesa distante com sua amiga Leonor, vivida por Paloma Duarte. ‘‘Hilda, eu te dou uma vaca premiada em festivais do mundo inteiro’’, promete o personagem de Bonfim. ‘‘Vou te cobrir de ouro da cabeça aos pés’’, brada o rival interpretado por Tarcísio.
Aos poucos os dois são cercados pelas prostitutas do cabaré e começam a dar sinais de que estão bêbados. Nesta hora, a experiência de Tarcísio nitidamente faz a diferença. Ele brinca com as prostitutas, coloca-as no colo e parece mais do que confortável no papel. Para aproveitar a presença do ator na minissérie, Wolf Maya grava vários closes de Tarcísio, que faz um festival de caras e bocas já conhecidos dos telespectadores. Mas, antes dos coronéis embebedarem de vez, Hilda Furacão levanta-se e avisa que ainda vai decidir quem será seu marido. ‘‘Agradeço o carinho de vocês. Mas o meu amor vai aparecer ainda’’, avisa a sonhadora Hilda para os dois coronéis incrédulos.
Com o fora da prostituta, Possidônio e Cilogônio encostam as mesas e partem para o porre coletivo. As prostitutas interpretadas por Zezé Barbosa, Marcia Barros, Mônica Lima e Adriana Mattar juntam-se aos coronéis. Totalmente embriagados, os antigos rivais acabam se tornando confidentes e se abraçam. Nesta hora, Tarcísio tira mais uma carta da manga. Praticamente sussurrando, o ator começa a cantar a música ‘‘Vingança’’, do gaúcho Lupicínio Rodrigues, e é prontamente seguido por Roberto Bonfim. Wolf Maya nem ousa interromper o improviso.

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