Depois de duas horas de cantoria e brincadeiras no ônibus, cerca de 50 alunos de quarta série chegaram a Londrina para um dia incomum. A garotada arrecadou a maior quantidade de agasalhos para a campanha do Provopar em São Jerônimo da Serra e, como prêmio, ganhou uma viagem a Londrina para conhecer um sala de cinema e comer alguns sanduíches no McDonald’s. Tudo acompanhado pela prefeita da cidade.
Foi assim que eles chegaram, com olhos estatelados, ao Cine Catuaí 3, no dia 12, para acompanhar a sessão das 14h30 de ‘‘O Encantador de Cavalos’’, com Robert Redford. Apesar da excitação geral, a ordem foi mantida. As crianças foram, aos poucos, se acomodando nos bancos, enquanto a sala ficou escura.
Os estudantes de São Jerônimo da Serra - a cidade fica a 95 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio - fizeram parte de apenas uma das excursões que os cinemas londrinenses estão recebendo. Como a maioria das cidades da região não tem sala de exibição, a gerente Ruth Moraes - responsável pelas salas do Shopping Catuaí, além dos cines Londrina e Vila Rica - decidiu divulgar a programação para trazer novos clientes.
A febre começou com o sucesso de ‘‘Titanic’’, mas, mesmo após o filme sair de cartaz, o movimento continua. ‘‘Fiz um trabalho junto ao público das cidades vizinhas que não têm cinema, anunciando que faria reservas. Foi um sucesso tão grande que hoje eu sei que não ocorreu só com o ‘Titanic’. O cinema se tornou novamente uma opção de lazer, as pessoas estão voltando a frequentar as sessões’’, comenta Ruth.
A gerente reserva lugares e assentos para quem vem de outras localidades. ‘‘Na época do ‘Titanic’ trouxe mais de 5 mil pessoas da região. Espero repetir o feito agora com ‘Godzilla’’’, ressalta.
Das crianças que vieram de São Jerônimo da Serra, muitas não conheciam uma sala de cinema. ‘‘As crianças estão ansiosas. Espero que a experiência sirva de incentivo’’, revelou Maria Luiza Coppla, prefeita da cidade.
‘‘Estou com vontade de assistir, não sei como vai ser’’, afirmou Thamiry da Costa, de dez anos de idade. Como seu primo Heitor Brizola, de nove anos, ela nunca havia assistido à uma sessão. ‘‘Acho que vai passar um filme e eu vou assistir’’, disse Heitor, ao ser questionado sobre a expectativa para a projeção.
‘‘Foi uma iniciativa em que eu coloquei um anúncio no meu cupom, além de entrar em contato com algumas escolas. Já tivemos muita gente de Porecatu e Assaí, por exemplo. A procura ainda está crescendo’’, assegura Ruth Moraes.

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