No embalo do 'Shimbalaiê'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de outubro de 2010
Omar Godoy<BR>Equipe da Folha 
Dona de uma trajetória meteórica, pouca vista no ambiente da música brasileira, Maria Gadú chega hoje a Curitiba para uma única apresentação no Teatro Positivo. Aos 23 anos, e com apenas um disco no currículo, a artista já tem o status de estrela - com direito a indicações ao Grammy Latino e um show ao lado de Caetano Veloso pronto para cair na estrada. Mas, afinal, o que há por trás desse sucesso tão rápido?
Espécie de cruzamento entre Cássia Eller e Marisa Monte, Gadú representa um meio termo no cenário das chamadas ''cantoras ecléticas da MPB''. Combina despojamento e doçura, timidez e atitude. Para completar, suas canções são extremanente radiofônicas, marcadas por letras simples, que beiram a infantilidade. Não à toa, seu grande hit é ''Shimbalaiê'', música composta quando ela tinha somente 10 anos de idade.
No trato pessoal, a artista também mantém essa postura quase ingênua, como na entrevista concedida na semana passada à reportagem da FOLHA. Incentivada a fazer uma avaliação deste primeiro ano de carreira fonográfica, ela desconversa: ''Eu não sou muito de fazer avaliação. Só sei que estou gostando do que faço e conhecendo as coisas''.
Sobre o segundo álbum, o mesmo tipo de resposta. ''Demorei 23 anos para fazer o primeiro, ainda não sei como será o próximo. Estou tendo a oportunidade de aprender muito, seria injusto não aproveitar isso num CD.'' Difícil saber se ela está sendo sincera ou displicente com o entrevistador.
De concreto mesmo para o futuro, só os seis shows marcados com Caetano e a edição em vinil do disco de estreia. Segundo a cantora, o roteiro do espetáculo inclui sets separados da dupla e um encerramento em conjunto. Já o LP, que chega às lojas até o fim de mês, traz como bônus uma versão de ''Quase Sem Querer'', da Legião Urbana.
''É impressionante como a música da Legião vai do céu ao inferno. E o Renato Russo tem uma das vozes mais incríveis que eu já ouvi'', afirma. A canção, por sinal, é um dos covers que ela apresenta esta noite na capital, junto com ''Lanterna dos Afogados'' (dos Paralamas do Sucesso) e ''A História de Lily Braun'' (de Chico Buarque e Edu Lobo). ''Tem mais, mas eu não posso contar tudo. Se não perde a surpresa, né?'', despista, mais uma vez.
SERVIÇO
- Show com Maria Gadú
Quando - Hoje, às 21h
Onde - Teatro Positivo (R. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300), em Curitiba
Quanto - R$ 124 (plateia inferior) e R$ 94 (plateia inferior), com meia entrada para estudantes, maiores de 60 anos, professores e doadores de sangue
Informações - (41) 3315-0808


