NO EMBALO DO FORRÓ
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de julho de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Um grupo de forró criado há pouco mais de dois anos em São Paulo está recebendo as bênçãos da gravadora Paradoxx. Depois de integrar a coletânea Forró Universitário, o Baião D4 destacou-se entre os demais conjuntos, ganhou status de revelação e foi chamado para gravar, tendo total liberdade na escolha do repertório. O CD Onde a Onça Bebe Água, que agora chega às lojas, traz a marca digital do quarteto.
Os quatro músicos têm na bagagem histórias de outras experiências musicais, como o vocalista Tiago Sena, que veio do reggae, Nazaré e Peixinho que atuavam intensamente no Maranhão, e o percussionista Pixu, que já acompanhou nos estúdios Jorge Benjor, Zé Geraldo, Xuxa, Patrícia Marques. Os quatro, vindos de lugares diversos, encontraram-se em São Paulo e dali saiu a banda.
O Baião D4 costuma se apresentar em casas de forró paulistanas. É onde a gente vem atuando muito e onde queremos continuar a tocar, afirma o músico. Essa vivência tornou os rapazes conhecedores do gosto do público. A ciência adquirida da vivência nos salões e seus frequentadores eles procuram o baião para dançar levou-os a escolher um repertório onde se ressalta a música dançante. Queremos mostrar o xaxado, o xote.
Pixu argumenta que o forró é mais do que uma onda mercadológica. O gênero possui consistência, substância, ou seja, qualidades palpáveis que os ritmos eleitos para a temporada da moda não têm. Chegam e somem sem deixar marcas. Por sua vez o forró autêntico permanece, mantém-se há décadas, mesmo com o desconhecimento proposital da mídia. Tomara que venha mais música brasileira de qualidade, aspira.
Onde a Onça Bebe Água não foi produzido no afogadilho para constar da lista com as novas atrações do gênero. O disco traz a clara intenção de representar as cores nacionais, passando pela própria história. A escolha por instrumentos acústicos não se deu por acaso. Em comum acordo os músicos discutiram o direcionamento à ancestralidade, à negritude, às várias etnias que teceram a malha secular do povo brasileiro.
As composições foram buscadas entre os amigos, os membros do próprio grupo e até um ex-Baião D4, Evaldo Cavalcanti. A prioridade ficou nessa escala: os caras da banda, os amigos e uma regravação, Chupando Gelo, detalha Pixu. Acompanhando de perto o trabalho dos rapazes esteve Chico César, respeitosamente citado como o padrinho. Por sinal, foi quem sugeriu o nome do grupo.
Sobre a qualidade musical em suas 13 faixas, Pixu comenta que o País é pródigo em grandes talentos, mas infelizmente falta-lhes oportunidade. A proposta da banda é garimpar o que há de bom, e trazer junto essa moçada desconhecida. Tendo oportunidade vamos valorizar aquilo que gostamos e conhecemos. O CD é uma amostra daquilo que ele chama de como uma família: as composições de Evaldo Cavalcanti, Nilton Blau, Jerude, entre outros, que delicadamente desenham um País alegre, manso, poético de fazer dó.


