São Paulo - Hoje é o Dia Mundial do Rock, data comemorativa estabelecida em 1985, quando aconteceu o festival Live Aid. O evento, que pretendia colocar fim à fome na Etiópia, ocorreu simultaneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos e foi transmitido para vários países. Até hoje, a data é lembrada no mundo todo, só que, no Brasil, nem todos acham que há motivo para comemorar.
Roqueiros antigos se queixam de que não há mais bandas de rock no país, criticando grupos que fazem uma linha mais pop, como os coloridos do Cine e do Restart. ''Eles não têm aquela pegada sexo, drogas e rock and roll'', diz Carlos Eduardo Miranda, jurado do programa ''Qual É o Seu Talento?'' (SBT) e produtor musical. ''Essa nova geração quer mais é saber de viver um estilo de vida e vestir roupa de roqueiro do que, de fato, fazer rock'', critica Beto Bruno, líder da Cachorro Grande, banda que ainda reza pela cartilha do rock tradicional.
Pe Lanza, vocalista do Restart, no entanto, defende o som do grupo e diz que faz rock, sim. ''Fazemos o som que é sincero para a gente, que mostra a nossa verdadeira energia.'' Sobre as críticas, ele afirma que ''dão mais vontade ainda de mostrar para toda essa galera que sabemos fazer rock''. E arremata: ''O rock nunca foi unânime, em nenhuma de suas vertentes. Guns N' Roses, Aerosmith e Blink 182 foram algumas das bandas que nos influenciaram. A gente acaba ouvindo de tudo e agregando elementos diferentes para poder enriquecer cada vez mais o nosso rock''.
Para Miranda, o rock feito hoje é diferente daquele dos anos 1990, década em que produziu o disco de estreia do Raimundos, mas ressalta que a cena musical independente ainda é um refúgio de boas bandas. ''Se bem que, hoje, todo o mundo é independente'', diz Paulo Miklos, do Titãs. ''Só por esses coloridos terem conseguido fazer guitarra com distorção tocar na rádio, já têm um grande mérito. Nos anos 1980, a gente precisava fazer versões acústicas de nossas músicas para poder ser transmitido'', diz.
Quem também é otimista é Mi, vocalista da banda Gloria, que faz um som mais pesado que os coloridos, mas tem bastante aceitação do público jovem. ''O rock se modifica em várias formas. Mas ele não vai morrer nunca'', garante.

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