A poesia concreta de São Paulo, cantada em prosa e verso por Caetano Veloso, está prestes a ganhar uma versão televisiva. Estréia hoje, às 21h55, ''Um Só Coração'', minissérie da Globo escrita por Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, em homenagem aos 450 anos da maior cidade brasileira.
A trama começa em 1922 e vai até 1954. São três décadas de profundas transformações, em que São Paulo deixa de ser uma potência rural para ganhar o status de metrópole. À frente do elenco, Ana Paula Arósio encarna Yolanda Penteado, personagem real da sociedade paulistana, que participou ativamente do desenvolvimento cultural da cidade. ''Ela viveu uma vida de folhetim. Cresceu como princesinha do café, teve sua fase Scarlet O'Hara e tornou-se uma mulher capaz de realizar grandes projetos e paixões'', resume Ana Paula.
A exemplo da trama que envolve a protagonista, documentário e folhetim se entrelaçam em ''Um Só Coração''. A Semana de Arte Moderna, a Revolução de 1924, a crise de 1929, a Revolução de 1932, as diretrizes da era Vargas, os refugiados de guerra, os ecos do nazi-fascismo, as imigrações, a influência americana... Esses momentos servem como pano de fundo para sonhos, amores, dramas, lutas e conquistas de personagens reais e imaginados. A mistura de ficção e realidade vai pontuar os presumidos 52 capítulos da minissérie.
Os movimentos artísticos que marcaram São Paulo a começar pela Semana de Arte Moderna de 1922 vão ganhar destaque em ''Um Só Coração''. A família Penteado, os empresários Francisco Matarazzo Sobrinho (Edson Celulari) e Assis Chateaubriand (Antônio Calloni), e as pintoras Tarsila do Amaral (Eliane Giardini) e Anita Malfatti (Betty Gofman), são alguns dos personagens reais que serão retratados.
Em cena aparecem ainda escritores como Oswald e Mário de Andrade e o poeta Menotti Del Picchia (Ranieri Gonzalez). O elenco reúne mais de 60 atores número considerado bem acima da média para uma minissérie. Nomes como Tarcísio Meira, Maria Fernanda Cândido, Herson Capri, Helena Ranaldi, Letícia Sabatella, Daniela Escobar, Erik Marmo, Marcello Antony e Débora Falabella aparecem nas diferentes fases da trama, que conta com duas grandes passagens de tempo.
A reconstituição de época promete ser uma atração à parte em ''Um Só Coração''. São Paulo, Santos, Campinas e Bananal, no estado paulista, e Rio das Flores, no interior do Rio de Janeiro, serviram de locação. Já a cidade cenográfica construída no Projac, centro de produção da Globo, no Rio foi baseada em pesquisas sobre a São Paulo dos anos 20 e vai ganhar novas roupagens a cada fase da minissérie.
''Um Só Coração'' é uma saga de paixões sobre a cidade que não pára de crescer e que até hoje acolhe pessoas de todas as partes do mundo. Mas o núcleo central gira mesmo em torno da impetuosa Yolanda Penteado. Nascida numa São Paulo dominada pela conservadora elite do café, Yolanda frequenta todos os salões da alta sociedade, aprecia as artes e coleciona admiradores como Santos Dumont (Cássio Scapin) e Assis Chateaubriand (Calloni). Mas também é conhecida por não se deixar envolver. Até conhecer Martim (Erik Marmo), jovem íntegro de família tradicional empobrecida.
A pressão da família e uma série de mal-entendidos, porém, terminam por separar os apaixonados. Yolanda aceita o casamento arranjado com o primo Fernão (Herson Capri). Anos mais tarde, escandaliza a sociedade ao se decidir pelo desquite e procura Martim. Mas, desta vez, é ele quem está comprometido. Sem tempo para decepções amorosas, a jovem assume os negócios da família, que passa por dificuldades financeiras. É quando conhece Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo (Edson Celulari), dono do maior parque industrial de São Paulo.
De fato, o casamento de Yolanda e Ciccillo deixou um grande legado cultural. É ao lado da mulher que Ciccillo materializa seu sonho de mecenas. O casal foi responsável pela fundação do Museu de Arte Moderna paulistano, em 1948. Já em 1951, organiza a mundialmente conhecida Bienal de São Paulo. ''Dos homens com quem Yolanda se envolve na minissérie, só o Ciccillo existiu de verdade. Ele, sim, foi o seu grande companheiro'', esclarece Maria Adelaide Amaral.

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