No coração da orquestra
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quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
A batuta não faz música. É o coração dos músicos que mantém vivo o corpo da orquestra. Ao regente cabe grande parte desse milagre, que será realizado pelas mãos da maestrina cubana Elena Herrera, que estréia como convidada à frente da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel), no concerto que será realizado hoje, às 20h30, no Teatro Ouro Verde. A apresentação abre as comemorações dos 25 anos da orquestra.
Elena assume a primeira orquestra criada no Paraná e vai enfrentar desafios. Entre eles, a falta de estrutura, que inclui local adequado para ensaios e o número de músicos para executar determinados repertórios.
''A 5 Sinfonia de Tchaikovsky é uma obra que a Osuel ainda tem dificuldade de apresentar, mas escolhemos porque faz a orquestra explodir'', afirma Elena, sobre uma das peças escolhidas para a apresentação, que inclui o Concerto nº 4 para Trompa e Orquestra de Mozart e a Suíte Vila Rica, de Camargo Guarnieri. Stanislav Schultz será solista na obra de Mozart. A maestrina acredita que a escolha do repertório não deve ter somente interesses pessoais ou técnicos, mas espirituais.
Não revelando os caminhos que fará para chegar ao coração dos músicos londrinenses, Elena, que é reconhecida pela trajetória em pedagogia musical e regência orquestral, com uma carreira de mais de 30 anos, afirma que, em primeiro lugar deverá fazer com que a orquestra soe.
''O trabalho que eu faço é no coração dos músicos para que também acreditem em mim. Nós, músicos, produzimos melhor quando somos verdadeiros. Todas as orquestras produzem bem. Depende de quem rege. Me sinto proibida de falar que um músico é incapaz de fazer alguma peça. Sou responsável por explorar para que tenha condições'', assegura a maestrina, que diz sonhar com a Osuel executando a 3 Sinfonia de Mahler.
Para dar um novo sopro à orquestra, uma das propostas será abrir audições para estágios de músicos jovens e profissionais. Elena é contrária ao pagamento de cachê para jovens, acreditando que isso prejudica a formação musical.
Cubana, filha de espanhóis, Elena começou a namorar o Brasil em 1998, quando o maestro Cláudio Santoro a convidou para reger a Orquestra Sinfonica do Teatro Nacional.
''O Brasil me pegou de jeito. Me fizeram brasileira em menos de um mês. A minha mãe está sepultada em terra brasileira. Em Brasília fiz um trabalho com uma orquestra jovem na periferia. Hoje, muitos jovens que participaram do projeto tocam em São Paulo, nos Estados Unidos e Alemanha'', comenta Elena, que também é naturalizada brasileira.
Londrina surge como um novo namoro. Ela conta que fez uma proposta de trabalhar temporariamente com a orquestra londrinense no período de setembro a março.
''Depois desse tempo de namoro, o relacionamento pode virar casamento'', comenta.


