Aripuanã, no Mato Grosso, que fica a 1010 quilômetros de Cuiabá e dentro da Floresta Amazônica, desponta como uma nova força de ecoturismo no Estado e prepara-se para tomar o mesmo caminho da Chapada dos Guimarães - pólo de atração turística próximo da Capital. Situado no extremo Noroeste do Mato Grosso e fazendo divisa com os Estados do Amazonas e Rondônia, o município de Aripuanã é dono de um desconhecido santuário ecológico de beleza similar às Sete Quedas, inundadas na década de 80 pelo Lago de Itaipu.
Três exuberantes saltos de cerca de 80 metros de queda, com o verde da mata virgem ao fundo, compõem uma beleza rústica que impressiona a qualquer um que vê o local pela primeira vez. Também impressionados com a altura dos Saltos da Andorinha, do Meio e de Dardanellos, os primeiros habitantes do lugar - os índios araras e ‘‘cinta larga’’ - chamaram-no de ‘‘Ari-Puan㒒, que significa ‘‘pedra alta’’.
O conjunto de cachoeiras do rio Aripuanã é um dos poucos existentes na Amazônia. Por ser uma grande planície, a bacia hidrográfica do rio Amazonas praticamente não tem rios com queda. O Aripuanã é afluente do rio Maderida, que deságua no Amazonas. Como possui quedas, o Aripuanã é o único da região que permite construção de hidrelétrica. A cidade é a única do Norte e Noroeste do Mato Grosso que possui energia gerada por usina. As demais são precariamente alimentadas por motores a diesel.
Seringueiros A história do Aripuanã remonta ao final do século 19, época do apogeu da borracha, quando algumas frentes pioneiras procedentes do Amazonas e do Pará, compostas em sua maioria por nordestinos, foram se estabelecendo nos seringais da região.
Eram os ‘‘soldados da borracha’’ enviados pelo Exército e que fixaram como primeiro povoação a localidade de Panelas, às margens do Rio Roosevelt (afluente do Aripuanã), situada a 400 km da sede do atual município. Em Panelas foi criado um entreposto seringueiro de coleta de látex e só em 1932 era criado o Distrito de Paz de Aripuanã, em localidade distante, hoje no Estado de Rondônia. Mas em função das dificuldades de acesso por terra, nenhuma das povoações prevaleceram.
A vila que se desenvolveu e que deu origem ao município, fundado em 1943, fica a apenas dois quilômetros dos saltos do rio. Em função da proximidade da cidade, a prefeitura de Aripuanã construiu mirantes para observação das cachoeiras e organizou a cerca de mil metros acima no leito do rio um balneário para recepção de turistas e visitantes.
O pequeno balneário (com campos de futebol e quadra de vôlei de areia) foi um trabalho insignificante do homem se comparado à beleza que a natureza formou no local ao longo dos anos. No fundo do rio, de um lado ao outro, formou-se uma piscina natural de pedra maciça sem desníveis. Isso permite que crianças até idosos se banhem sem perigo no local em épocas de seca (de maio a outubro), quando o nível das águas está baixo.
Na seca, também é possível atravessar o rio e chegar às prainhas situadas na margem oposta. Em outro local, ajudada pela correnteza, uma formação rochosa ‘‘desenhou’’ um tobogã natural, que é experimentado com deleite por todos. Estes atrativos trazem a Aripuanã visitantes de várias cidades da região, algumas a mais de 300 quilômetros em estrada de terra.
Hotel de luxo A presidente da Associação Comercial e Industrial de Aripuanã, Antonieta Varaschiam, já enviou carta com fotos para o Sebrae do Mato Grosso, solicitando visitas, divulgação da cidade e linhas de crédito para a instalação de pequenos negócios ligados ao turismo.
Além disso, de olho em outro público - aquele que não come poeira na estrada de chão e vem de avião - um empresário de Tangará da Serra (a 400 km de Cuiabá) está construindo ao pé das cachoeiras de Aripuanã um hotel de luxo. O projeto é faraônico e o valor do investimento é mantido em segredo.
O grupo empresarial já contratou inclusive uma equipe especializada de pesquisadores para encontrarem uma forma - ecologicamente correta - de extinguir no período da seca um mosquito que infesta os rios da região, o ‘‘pium’’. Além do pium, há também o que transmite a malária, mas que pode ser facilmente evitado se os banhistas não frequentarem o rio no período de sol fraco - do amanhecer até às 9 horas e ao entardecer, das 17h30 às 19 horas.
Com grande potencial ainda inexplorado, a cidade é uma opção de turismo rústico para quem quer ficar longe dos roteiros litorâneos e não se importa muito com luxo ou requinte.

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