Assim como um bailado lento, dançado repetidas vezes, a Escola Municipal de Dança deu um passo e depois tantos outros até se consolidar como uma iniciativa de sucesso dentro da política cultural de Londrina. Na sua rotina, entretanto, a busca pelo ideal ainda é um exercício gradual, que inclui esforço, suor e superação, tal qual o balé...
''O início foi difícil'', lembra Leonardo Ramos, um dos principais protagonistas para a implantação da escola e até hoje o único diretor. ''Há 15 anos, não se entendia a possibilidade de ensinar arte com investimento público''.
Derrubar preconceitos foi apenas um dos desafios da instituição sediada numa antiga fábrica de farinha de ossos, às margens do Lago Igapó I. Até hoje, a manutenção fica a cargo da Funcart - Fundação Cultura Artística de Londrina -, que repassa recursos do orçamento municipal e levanta verbas de contribuições e mensalidades. O custo mensal é de R$ 13 mil .
A avaliação do diretor é que o modelo se enraizou, assim como aconteceu em outras cidades brasileiras. ''Depois do desinteresse da classe média pelas academias, o lado social da dança ficou mais forte a partir da década de 90, e passou a ser um veículo de inclusão social'', pondera Ramos. Atualmente, além da sede, a instituição mantém um núcleo na Avenida Saul Elkind (Zona Norte), mais cinco pontos espalhados em bairros, com oficinas de iniciação à dança. No total, cerca de 500 alunos são atendidos.
Para facilitar o acesso à cultura, alunos carentes têm bolsa de estudos integral depois de serem aprovados num teste de aptidão. ''Mas a escola não está fechada para outras classes sócio-econômicas'', ressalta o diretor. O aluno paga mensalidade de R$ 50 para cada curso. A formação leva até oito anos e depois ainda é preciso passar por uma banca sindical, normalmente em Curitiba, para obter o registro profissional.
A escola também é a ponte para que o bailarino ingresse na Companhia Ballet de Londrina. O grupo formado há 15 anos é profissional e conta hoje com 12 integrantes. Mais da metade veio da escola. Guilherme Floriano, de 18 anos, já deu saltos em direção a esse sonho. Há cinco anos, o ex-aluno da Guarda-Mirim teve o talento descoberto por um professor e começou a fazer aulas de balé clássico. ''No começo não conseguia fazer nada, achava impossíveis alguns passos. Depois, fui pegando o jeito. Hoje eu paro e penso: isso foi uma vitória''.
Com o registro profissional, Floriano entrou este ano no Ballet de Londrina como estagiário. Além de cinco horas diárias de aulas e ensaios, ele tem que estar por dentro das coreografias dos bailarinos titulares. ''Se alguém não puder dançar nas apresentações, eu entro em cena'', explica. Perguntar os planos de Floriano pode parecer óbvio. Mas a resposta ilustra bem o que se passa pelo coração e pelos pulmões de quem ama a dança: ''Eu quero ser efetivado na Companhia e ter uma carreira gloriosa. Não consigo mais viver sem a dança''. Para ele e para todos os bailarinos, profissionais ou não, seria algo como ficar sem respirar. (P.C.)

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