No compasso da igualdade
Acostumado a frequentar há mais de 20 anos alguns dos maiores palcos destinados à música clássica pelo mundo, o londrinense Aldo Moraes diz que ainda fica impressionado com a pequena quantidade de músicos negros no meio erudito. "Entre os cantores é mais comum encontrar negros, já em meio os instrumentistas clássicos é muito raro", afirma.
Moraes acredita que isso se deve ao fato da comunidade negra ter mais dificuldade de acesso à cultura por questões sociais e econômicas. "Vindo de família humilde, como a maioria dos negros, eu também passei por isso. No entanto, quando queria fazer algum curso e minha família não podia pagar eu pedia bolsa na escola, chorava e implorava até conseguir fazer os cursos de graça", lembra o músico, que atua como pianista e violonista clássico e já se apresentou e teve suas composições para orquestras executadas nos Estados Unidos, Suíça, França e Itália.
Com o objetivo de facilitar o acesso de pessoas carentes à aprendizagem musical, Moraes criou o projeto Batuque na Caixa, que desde 1999 já beneficiou mais de cinco mil crianças e adolescentes oferecendo gratuitamente aulas de teoria, história da música e prática de instrumentos. "Os participantes são crianças carentes, negras ou não, que não teriam acesso à música por conta da condição financeira de suas famílias", argumenta.
O músico, que atuou como secretário municipal de Cultura entre os meses de maio a agosto deste ano, se diz favorável ao edital do Ministério da Cultura destinado a projetos com o tema Afrodescendente. "É uma forma de valorizar a cultura afro-brasileira e reparar um problema que atravessa gerações. Eu, por exemplo, nunca fui vítima de preconceito. Mas sempre fui olhado com espanto por pessoas incrédulas de ver um jovem negro se dedicando à música clássica", ressalta. (M.R.)





