O mais nova-iorquino dos diretores abre amanhã a 36ª edição do New York Film Festival, que vai apresentar 26 filmes até o dia 11 de outubro. ‘‘Celebrity’’, o novo filme de Woody Allen sobre o culto às celebridades, divide as atenções principais do evento com ‘‘The Dreamlife of Angels’’, de Erick Zonca, e ‘‘Black Cat, White Cat’’, de Emir Kusturica. O festival vai ter também a exibição de trabalhos de nomes como Hal Hartley, Todd Haynes, Todd Solondz e Ingmar Bergman.
Boa parte dos filmes selecionados para o NYFF foram revelações do Festival Internacional de
Cannes. É o caso do estreante Zonca, que foi ‘‘descoberto’’ na França em maio, quando as estrelas de ‘‘The Dreamlife of Angels’’, Elodie Bouchez e Natacha Régnier, dividiram o prêmio de melhor atriz. A produção francesa que vai encerrar o festival gira em torno do relacionamento de duas mulheres com os homens em sua volta.
‘‘Velvet Goldmine’’, o filme de Todd Haynes sobre o mundo do glam rock, é outro hype de Cannes. Estrelado por Ewan McGregor e Jonathan Rhys Meyers, a história é, de acordo com o diretor, um ‘‘presente aos sons e imagens que surgiram em Londres no início dos anos 70’’. ‘‘Slam’’, de Marc Levin, também foi aclamado em Cannes, levando o prêmio Camara d‘Or, depois de vencer o Festival do Filme de Sundance, em janeiro. O filme é sobre um jovem poeta negro que vai preso e acaba desenvolvendo uma mistura de poesia com rap, com a ajuda de um professor. ‘‘My Name is Joe’’, de Ken Loach, é outro premiado em Cannes: Peter Mullan ficou com a Palma de Ouro de melhor ator por seu trabalho como um alcoólatra que se apaixona por uma assistente social.
Outros destaques da programação são ‘‘Black Cat, White Cat’’, do iugoslavo Emir Kusturica, recheado de personagens complexos, incluindo prostitutas, ladrões de gasolina e ciganos; ‘‘Happiness’’, uma comédia de humor negro sobre a vida de três irmãs; e ‘‘Dr. Akagi’’, de Shohei Imamura, sobre um médico que forma um grupo de voluntários em uma cidadezinha próxima a Hiroshima, em 1945.
De acordo com o diretor do festival, Richard Pe¤a, a variedade de estilos e procedências dos filmes selecionados foi proposital. ‘‘Estou satisfeito que as produções reúnam o trabalho de mestres como Woody Allen, Shoshei Imamura e Eric Rohmer com o de talentos novos tão excitantes’’, diz.
Também devem chamar a atenção dois trabalhos feitos especialmente para a televisão: ‘‘In the Presence of a Clown’’ e ‘‘Book of Life/Life on Earth’’. O primeiro é o mais recente trabalho de Ingmar Bergman, feito para a TV sueca, em vídeo, no ano passado, que conta a história do paciente de um psiquiatra e o segundo é formado por dois episódios feitos para a TV francesa, dirigidos respectivamente por Hal Hartley e Abderrahmane Sissako, ambos passados em 31 de dezembro de 1999.
Faz parte ainda da edição 98 do NYFF uma homenagem ao diretor John Boorman, renomado diretor de thrillers de espionagem nos anos 60. O festival vai apresentar ‘‘Point Blank’’, uma produção dele de 1967 que revolucionou a maneira com que o cinema passou a ver Los Angeles, e ‘‘The General’’, recém-finalizado, baseado na história do mestre do crime Martin Cahill.

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