Londrina pode não ser a capital brasileira do blues, mas é incontestável seu prestígio como polo nacional do gênero, título conquistado com a realização de dois festivais temáticos anuais já incluídos no calendário musical da cidade.
A novidade, agora, é a projeção no exterior da banda local Zazou Bluz, fundada em 2001 pelo cantor e compositor francês Daniel Bussi. O grupo acaba de ser relacionado no catálogo da France Blues, uma rede de divulgação de bandas francesas para os mercados dos Estados Unidos, Canadá e Europa.
"Fomos selecionados com outras 20 bandas, provavelmente depois da publicação de uma crítica de Fred Delforge elogiando nosso álbum 'On The Blues Way', que lançamos em 2011. Não temos certeza se seremos chamados ou não por algum produtor de festival ou gravadora, mas já ficamos muito satisfeitos em fazer parte da France Blues, que é a rede de blues mais influente da França", diz Bussi.
Enquanto comemora o feito, o grupo dá início a uma semana de atividades em Londrina como convidado do projeto "Som Nosso" do Sesc. Hoje e amanhã, das 14h às 18 horas, o tecladista Marcos Aguiar conduz ali uma oficina sobre blues. Na quinta e na sexta-feira, às 20h, a banda se reúne para tocar e mostrar o repertório de "On The Blues Way", além de músicas inéditas.
O programa da oficina é dividido em duas partes: história do blues (suas raízes, influências e seu impacto cultural); e estética do blues (os elementos que compõem sua estrutura sonora). "Vou mostrar o que é fato e o que é falácia", afirma o músico, que entrou para a banda há dois anos, vindo de Presidente Prudente (SP).
De acordo com ele, mais importante do que técnica musical, a interpretação do blues exige sentimento por parte do executante. "O blues surgiu em plantações de algodão a partir de improvisos de músicos com pouco conhecimento. Já em suas origens, o que contava era o sentir do músico. No cenário contemporâneo, acontece a mesma coisa. Não é preciso se matar de estudar para tocá-lo. O cara tem que ter feeling", assinala.
Para Aguiar, Londrina "está bem forte" no segmento do blues. "Não vejo ocorrer o mesmo fenômeno em outras grandes cidades. O cenário, aqui, é fantástico com muitos músicos excelentes e uma molecada nova que vem vindo nessa mesma vibe", salienta.
O tecladista explica que o Zazou Bluz faz blues contemporâneo, guardando poucas semelhanças com as raízes do gênero. "Misturamos o blues de Chicago com folk, jazz, soul e funk. É uma mistura de vertentes", diz.
Além dele e de Bussi, a banda conta com Breno Morais (guitarra), Valdir Castro (baixo) e Wellington Oliveira Souza (bateria). O repertório para os shows desta semana inclui duas músicas inéditas que estarão num EP de seis faixas ainda em fase de gravação e com previsão de lançamento para o final do ano.

Serviço:
Projeto "Som Nosso" do Sesc – Zazou Bluz

Oficina de Blues
Quando - Hoje e amanhã, das 14h às 18 horas
Quanto - Gratuito

Shows do Zazou Blus
Quando - Quinta e sexta-feira, às 20h
Ingressos - R$ 10, R$ 5 (meia-entrada para estudantes e idosos acima de 60 anos) e gratuito para comerciários com o Cartão Cliente Sesc

Onde - Sala de Espetáculos do Sesc (R. Fernando de Noronha, 264), em Londrina

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