A jornalista Iara Lessa, 33 anos, nascida em Lins (SP) e há 16 anos em Londrina, descobriu na adolescência que tinha uma certa intimidade com as imagens, apesar da dificuldade com riscos e traços. A mãe era professora de pintura e a adolescente se aventurou com tintas e pincéis em algumas aulas. ‘‘Foi um horror’’, lembra. ‘‘Mas percebi que tinha facilidade em agrupar os ícones e criar imagens.’’
Faltava descobrir qual técnica seria o seu veículo de expressão visual. Depois de formar-se em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina foi para Curitiba onde ficou cinco anos trabalhando no jornal ‘‘Nicolau’’. Lá voltou a entrar em contato com as imagens através do ilustrador Antônio Guinski.
‘‘Ele é premiadíssimo e me dava algumas dicas’’, lembra. Ainda em Curitiba, Iara Lessa fez curso de ilustração com Eliane Prolinki. A partir daí encontrou o seu caminho na arte visual: o papel e a tesoura, que hoje foram substituídos pelo computador. A técnica de colagem com xerox levou a jornalista a trabalhar cada vez mais com imagens.
Ela afirma ser do tempo em que se discutia se o xerox era arte ou não. ‘‘O norte-americano Roy Linchenstein, que já faleceu, é o precursor desta discussão e do uso do xerox na ilustração. Ele trabalhava com personagens de quadrinhos’’, conta. Iara Lessa explica que a grande vantagem desta técnica é copiar com fidelidade e poder interferir.
De volta para Londrina, Iara Lessa, depois de passar pelo Correio Londrinense veio para a Folha de Londrina, onde começou a fazer ilustrações. ‘‘Durante uma fase da Folha Jovem eu fiz todas as vinhetas’’, conta. Se tinha uma matéria pedindo uma ilustração, a tesoura e o papel de Iara Lessa entravam em ação.
Já fora da Folha de Londrina, ela foi convidada para fazer a ilustração para uma matéria sobre o ‘‘Dicionário de Gírias’’, de J.B. Serra e Gurgel. Ele gostou do trabalho da jornalista/ilustradora e pediu sua autorização para usar a ilustração na capa da 5ª Edição do Dicionário de Gíria.
‘‘Eu já tinha jogado fora aquela ilustração, mas não queria perder esta chance’’, conta. ‘‘Então fiz uma nova imagem para ele.’’ Ver seu trabalho na capa de um livro foi muito gratificante: ‘‘É uma experiência excelente. Estou aberta para novos trabalhos’’, afirma Iara.
Apesar de atualmente estar mais ligada ao jornalismo do que à ilustração, ela afirma que o seu caminho futuro está relacionado às imagens. ‘‘Eu penso através de imagens’’, afirma. Segundo ela, a imagem é mais poderosa do que a escrita por não ter a barreira da linguagem. ‘‘É fantástico poder atingir o universo das pessoas que não conhecem o código linguístico’’, afirma. ‘‘A vida é mais visual’’, conclui. (EP)

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