Niza de Castro Tank, a pioneira
Niza de Castro Tank,
a pioneira
Arquivo FolhaNiza de Castro TankA história do canto lírico nacional não pode ser contada sem a valorosa ajuda de Niza de Castro Tank. Para alguns, ela é muito mais que uma diva; é um mito. Prêmios e mais prêmios não faltam em sua estante, entre eles o Troféu Roquete Pinto (que ganhou durante cinco anos consecutivos), Troféu Roquete Pinto e Troféu Ordem dos Músicos do Brasil. No ano passado, foi condecorada com o Prêmio Guarany Hors-Concours. Participou de várias óperas montadas no Brasil e também em Moscou, Berlim, Jerusalém, entre outros países.
E por falar em Guarani, ela fez parte do elenco que registrou em disco pela primeira vez a ópera O Guarani, de Carlos Gomes. Isso em 54. A regravação da obra aconteceu 30 anos depois com um elenco encabeçado por Plácido Domingos. Tudo começou na Rádio Gazeta, em São Paulo, no ano de 1954, que ela considera sua grande escola.
Porém, a estréia como profissional se deu no ano seguinte. E em grande estilo. Foi no Teatro Municipal de São Paulo, com a ópera Rigoletto, de Verdi. Niza tinha apenas 23 anos. Sempre tive muita sorte na carreira admite. Em compensação, a juventude de hoje não encontra muita espaço porque os maestros preferem buscar cantores lá fora, mesmo sabendo que temos boas vozes. A desculpa é que não temos escola, o que é uma desculpa até justificável.
Na opinião da artista, pelo menos São Paulo e Rio de Janeiro tinham obrigação de ter uma escola de ópera. E ela sabe o que fala já que Niza Tank tem fama de ser uma hábil caçadora de talentos entre elas, as londrinenses Solange Siquerolli e Débora de Oliveira.
Nos quase 50 anos de carreira, Niza Tank colecionou, além de troféus, muitas boas lembranças. Como aquela apresentação de Lucia Di Lammermoor (Donizetti), em 69, na Armênia, em que a advertiram que o público daquela terra era formal e não batia palma de jeito nenhum em cena aberta. Fui aplaudida em cena aberta e, com isso, rompeu-se um tabu recorda-se.
Mesmo com toda a reverência que tem, Niza está longe de ser uma diva cheia de chiliques. Ela odeia esse tipo de atitude. Isso é uma caretice muito grande avisa. A despedida oficial dos palcos paramentada para uma ópera aconteceu em 86, em Belém (PA). A ópera, O Guarani. Despedi-me sem dor e sem traumas, ao contrário do que dizem outras cantoras.
Niza, no entanto, ainda participa ativamente do cenário lírico brasileiro. Ela ainda faz seus concertos, participa de festivais e também atua como professora de técnica vocal na Unicamp. Não bastasse, Niza é doutora em Artes. (A.M.J.)





