"Muita gente diz que gosta de comida japonesa, mas na verdade o que está acostumada a comer é uma versão abrasileirada dos pratos preparados no Japão. E a diferença entre eles é grande." A afirmação é da comerciante Sumie Hashimoto, proprietária da loja Doce Mania especializada na venda de produtos importados do Japão.
Segundo ela, a principal descaracterização dos pratos japoneses se deve ao uso de temperos simples e básicos que são diluídos e adaptados fora do país do sol nascente. "A base do shoyu, por exemplo, é produzida no Japão e exportada para vários países que criam suas próprias versões do tradicional molho de soja, usado no tempero de saladas, sashimi e várias outras receitas. Existem shoyus de marcas brasileiras que mais parecem corante misturado com sal. O original japonês não é tão escuro e bem menos salgado", compara.
Sumie aponta ainda as diferenças dos macarrões, chás e saquês originais dos adaptados. "O chá verde do Japão é forte mas não é amargo como o brasileiro. O macarrão de lá tem uma textura mais firme e por isso nunca passa do ponto, além de ser mais saboroso. E o saquê original, que é feito com arroz fermentado, tem um baixo teor alcoólico e é muito mais leve que o produzido no Brasil. O sabor mais apurado que o brasileiro se deve à qualidade do arroz utilizado e ao tipo de fermentação a que ele é submetido. O saquê pode ser bebido como aperitivo ou como se fosse um cerveja e é tão valorizado no Japão que temos uma marca importada que acrescentou fios de ouro na bebida. Dizem que é até afrodisíaco", diz a comerciante.
Outro diferencial em relação aos produtos importados do Japão é o preço, bem mais salgado que os de marcas brasileiras. "Custa mais caro, mas vale a pena. Aos poucos as pessoas estão aprimorando o paladar e por isso acabam optando por produtos originais e de maior qualidade", argumenta a comerciante. (M.R.)

mockup