Em Londrina, a psicóloga Marcela Ortega, de 22 anos, foi surpreendida às 19 horas, da última sexta-feira, ao acessar a sua página no site de relacionamentos do Orkut, com o novo recurso disponibilizado pela rede mundial sem aviso prévio.
  Logo que ficou sabendo da mudança ela resolveu desativar a ferramenta.‘‘Achei muito estranho essa mudança repentina. Ninguém estava preparado para isso e acho que expõe mais as pessoas, embora eu não tenha o hábito de ficar visitando as páginas dos outros. Algumas amigas, que são mais curiosas, ficaram aterrorizadas com a notícia’’, afirmou.
  Usuária há cerca de dois anos do Orkut, Marcela contou que é uma internauta de carteirinha. Faz parte de outros sites de relacionamentos, tem um blog, mas gosta de enfocar a internet como uma ferramenta de trabalho. ‘‘Faço parte de várias comunidades sobre Análise do Comportamento, área da psicologia que pesquiso, e tenho acesso rápido a várias informações de outros pesquisadores. É muito interessante, e informações como um livro importante da área que foi liberado para a internet na íntegra ou um jornal que passou a ser on line são rapidamente repassadas entre as pessoas que compõem a comunidade’’, ressaltou a psicóloga.
  Ponderada, Marcela argumentou que coloca o mínimo de informações pessoais na internet e acredita que essa é uma forma de controlar a privacidade. ‘‘Esse novo recurso pode criar uma certa neurose nas pessoas, que entram numa obsessão por saber quem passou pela sua página. E, sinceramente, não sei se o recurso representa uma segurança a mais. Talvez iniba as ‘sacanagens caseiras’, mas os hackers podem continuar agindo da mesma maneira’’, disse.
Como sugestões de segurança para evitar mal-entendidos com amigos e cônjuges, recomenda apagar com freqüência os recados deixados na página, não pôr fotos e nem telefones.
  Já o estudante de Direito e arte-finalista, Danilo Henrique Guilherme Bassi, 22 anos, não se importou com o novo recurso disponibilizado no Orkut e o deixou ativado. ‘‘De certa forma, acho que tira um pouco a liberdade, mas evita os xeretas. As pessoas, e me incluo nisso, terão que pensar duas vezes antes de ‘bisbilhotar’ em páginas alheias’’, argumentou.
  Bassi ficou sabendo do novo recurso no sábado, ao ser comunicado por alguns amigos que encontrou pessoalmente. Ele contou que utiliza do Orkut há quase dois anos e que o site serve para manter contato com os amigos mais distantes. ‘Já pensei várias vezes em desativar a página, pelo fato de me incomodar um pouco a exposição pessoal, mas tem amigos de infância que só tenho contato através do Orkut’’, explicou.
  Ele também acredita que o novo recurso pode criar uma ‘neurose’ nas pessoas que têm uma grande necessidade de serem populares. ‘‘Tem gente que é louca para aumentar a lista de amigos, principalmente as mulheres, mas tenho que admitir que também fico curioso por saber quem foram as pessoas que passaram pela minha página’’, brincou Bassi.
  No caso de mensagens caluniosas colocadas em perfis pessoais, Bassi relatou que nunca passou por esse tipo de situação, mas que tem uma amiga que foi vítima desse tipo de ação. ‘‘Ela sabia a origem dos recados caluniadores, mas a pessoa usava um nome ‘anônimo’ e nada pôde ser feito. É muito ruim o adminstrador do Orkut não ser no Brasil. A gente se sente descoberto e só resta utilizar de um recurso que consta na página (no caso da página em inglês é ‘report as a bogos’) que informa eles de que a mensagem é inadequada’’, abordou.
  De qualquer forma, o novo recurso já mexe tanto com a imaginação das pessoas que até já foi criada mais uma comunidade no Orkut: a ‘‘paparazzidoorkut’’ que já está on line para o debate da nova mudança. E brincadeiras e broncas não faltam.

mockup