A intraduzível relação de amor que Nilson Monteiro nutre por Londrina, imprimirá uma nova história hoje à noite, com o lançamento de seu livro de contos e crônicas ''Pequena Casa de Jornal'', publicada pela Imprensa Oficial. A sessão está marcada para as 20 horas, na Biblioteca Pública Municipal, dentro da programação dos 50 anos da entidade.
''Pequena Casa de Jornal'' vem correndo mundo, teve vários lançamentos, esgotou a primeira edição de mil exemplares e segue a carreira agora em segunda edição. As narrativas ali contidas falam de pessoas, de bares, ruas, cidades, enfim, paisagens humanas. ''Costumo dizer, e não é slogan, que as cidades são as pessoas. O resto é farofa'', diz Nilson.
Eternamente emocionado, o escritor conta que os anos londrinenses - inaugurados quando ali a família Monteiro chegou, em 1964, vinda de Curitiba - foram determinantes em sua vida. ''Eu fiz de tudo em Londrina, só não morri. Por isso essa relação tão grudenta, tão vulcânica, tão apaixonante'', confessa.
A afetividade é tanta que até as páginas do livro ''são sujas com a cor da terra de lá. Digo 'sujas' no sentido de que ele tem muito a ver com a alma da cidade. Pode parecer piegas, mas é uma coisa muito boa eu voltar lá''. Para ele ''Pequena Casa de Jornal'' acresce essa emoção que vem de tempos: ''Ele é uma mostra documentada do meu amor por aquela gente''.
Não só pelos londrinenses e região é que bate o coração de Nilson Monteiro. Como uma pequena casa - porém, infinita - ele abriga especialmente os desvalidos. As crônicas trazem, em sua maioria, retratos dos humildes, aqueles nascidos para nunca ter voz. A eles a sociedade despeja seus recalques, os governantes exercitam sua indiferença. ''Alguém já disse e assino embaixo, que o livro é porta-voz dos anônimos, dos habitantes de bares, de ônibus'', reitera o jornalista. Emociona-se e chora.
Para o escritor não tem sentido escrever quando não se tem nada a dizer ou acrescentar na vida alheia. Ou seja, deixar-se levar apenas pela vaidade é uma inutilidade a ser evitada. Pessoalmente, Monteiro precisa desse diálogo, mesmo que nas gavetas se juntem a cada dia novos textos inéditos. ''Se parar de escrever, eu morro''.
• ''Pequena Casa de Jornal'', de Nilson Monteiro. Edição da Imprensa Oficial, 110 páginas. Lançamento hoje, às 20 horas, na Biblioteca Pública Municipal de Londrina.

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