Nilson Monteiro lança hoje em Londrina o livro Pequena Casa de Jornal
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de setembro de 2001
De Curitiba 
A intraduzível relação de amor que Nilson Monteiro nutre por Londrina, imprimirá uma nova história hoje à noite, com o lançamento de seu livro de contos e crônicas ''Pequena Casa de Jornal'', publicada pela Imprensa Oficial. A sessão está marcada para as 20 horas, na Biblioteca Pública Municipal, dentro da programação dos 50 anos da entidade.
''Pequena Casa de Jornal'' vem correndo mundo, teve vários lançamentos, esgotou a primeira edição de mil exemplares e segue a carreira agora em segunda edição. As narrativas ali contidas falam de pessoas, de bares, ruas, cidades, enfim, paisagens humanas. ''Costumo dizer, e não é slogan, que as cidades são as pessoas. O resto é farofa'', diz Nilson.
Eternamente emocionado, o escritor conta que os anos londrinenses - inaugurados quando ali a família Monteiro chegou, em 1964, vinda de Curitiba - foram determinantes em sua vida. ''Eu fiz de tudo em Londrina, só não morri. Por isso essa relação tão grudenta, tão vulcânica, tão apaixonante'', confessa.
A afetividade é tanta que até as páginas do livro ''são sujas com a cor da terra de lá. Digo 'sujas' no sentido de que ele tem muito a ver com a alma da cidade. Pode parecer piegas, mas é uma coisa muito boa eu voltar lá''. Para ele ''Pequena Casa de Jornal'' acresce essa emoção que vem de tempos: ''Ele é uma mostra documentada do meu amor por aquela gente''.
Não só pelos londrinenses e região é que bate o coração de Nilson Monteiro. Como uma pequena casa - porém, infinita - ele abriga especialmente os desvalidos. As crônicas trazem, em sua maioria, retratos dos humildes, aqueles nascidos para nunca ter voz. A eles a sociedade despeja seus recalques, os governantes exercitam sua indiferença. ''Alguém já disse e assino embaixo, que o livro é porta-voz dos anônimos, dos habitantes de bares, de ônibus'', reitera o jornalista. Emociona-se e chora.
Para o escritor não tem sentido escrever quando não se tem nada a dizer ou acrescentar na vida alheia. Ou seja, deixar-se levar apenas pela vaidade é uma inutilidade a ser evitada. Pessoalmente, Monteiro precisa desse diálogo, mesmo que nas gavetas se juntem a cada dia novos textos inéditos. ''Se parar de escrever, eu morro''.
''Pequena Casa de Jornal'', de Nilson Monteiro. Edição da Imprensa Oficial, 110 páginas. Lançamento hoje, às 20 horas, na Biblioteca Pública Municipal de Londrina.


