Nilson Monteiro
Doutor Vergara, louco de bueno, tchê! Foi, durante anos e anos, editor das notícias internacionais da Folha de Londrina. Fanático torcedor do Internacional, sempre com uma camisa rubra dos pampas sob qualquer outra (aliás, outras sempre puídas nos punhos), o advogado Pedro Vergara ensinou a gerações da Folha os mistérios, segredos e o mais puro dia-a-dia do jornalismo.
De uma simplicidade aguda, não economizava emoções ao falar da dignidade da profissão, dos quilômetros de telex que devorava todo dia, das qualidades de seu velho Gordini, das mãos sujas do trabalho, também diário, em uma horta que supria à maioria na Redação, do pomar cultivado em sua chácara... Falava alto, explosivo e amistoso, por entre as falhas de seus dentes, com todos. Inclusive com seu filho, Vergarinha, que não sei se ainda trabalha na Revisão do jornal.
Tinha lá suas manias. Uma delas: preparar a caipirinha que, sem modéstia, chamava de a melhor do mundo. Depois de fechar sua página e deixar algum plantão escalado, nas tardes de sábado, juntava o bando na chácara onde morava. A receita: conversa das boas, pinga da melhor qualidade, açúcar e limão. Limão, aliás colhido em plena sala de sua casa. De um limoeiro que foi plantado, cresceu e aproveitou-se de enorme e descuidado buraco no piso para, iluminado por outra brecha no também descuidado telhado, reinar na sala do doutor Vergara. Garanto que era uma flor.Tenente





