Oscar Niemeyer, ''muita coisa'', como ele diz, 93 anos, segundo os registros de nascimento, decidiu trocar a solidão da prancheta por um microfone e uma platéia. Explica-se: o arquiteto abre hoje, no Rio, ciclo de palestras dedicado à sua figura e à sua obra.
Para o evento, o criador de Brasília se faz acompanhar de intelectuais brasileiros, numa lista que começa com o crítico e poeta Ferreira Gullar, passa pelo sociólogo Emir Sader e chega ao cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, entre outros, para discutir questões ligadas a arquitetura, geopolítica e filosofia.
Um dos arquitetos modernistas mais cultuados do mundo, com exposição dedicada à sua obra marcada para dezembro no Jeu de Paumme, em Paris, e fôlego para assumir projetos como um novo anexo ao Copacabana Palace, Niemeyer concedeu a seguinte entrevista.
De onde partiu essa necessidade ou vontade de discutir a sua obra em um contexto acadêmico?
Quando estive na Argélia, fiz um programa para a escola de arquitetura. E incluí palestras paralelas, de outros assuntos. Não basta que o arquiteto seja bom profissional. É importante também que ele, como todos, tenha uma idéia da vida e dos problemas do mundo.
O que o senhor acha da sua própria arquitetura?
Importante é a intuição. Tenho muitos livros escritos sobre o meu trabalho. Nunca li. Não que eu despreze a opinião dos outros, mas quero fazer o que eu gosto, sem influência, sem nada, só com alguma simplicidade
Qual é a importância da arquitetura para a sociedade?
A arquitetura, para mim, não tem muita importância. O importante é a vida, o sujeito saber se conduzir, a família, os amigos. O arquiteto faz o que vem às mãos: um teatro, uma igreja. Qualquer coisa eu faço, é o meu trabalho. Mas o importante é uma contribuição à vida do homem, que precisa da arquitetura para se proteger, para trabalhar.
Mas o senhor sempre teve uma ligação forte com a política...
Lógico, eu era de família católica. Saí para a vida, e ela me pareceu tão injusta que logo comecei a correr para o Socorro Vermelho, a contribuir. Entrei para o partido e confesso que as melhores pessoas eu conheci lá.
O senhor segue socialista?
Inteiramente. Acho que nasci para protestar.Oscar Niemeyer, seu tempo, sua obra - Na Universidade Candido Mendes, na rua Joana Angélica, 63, tel. (0/xx/ 21) 2531-2082, no Rio.

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