A menos de dois meses do 101º aniversário, o arquiteto Oscar Niemeyer lança um livro de crônicas e alguns desenhos, em que alterna textos pessimistas e otimistas - para sua própria surpresa. O otimismo é recente; o pessimismo, antigo.
''Crônicas'' reúne 28 artigos, quase todos publicados em jornais e revistas ''durante as últimas décadas'', conforme a apresentação do autor. Poucos textos foram escritos especialmente para o livro.
A edição não informa as datas em que os artigos saíram na imprensa nem revela quais textos são inéditos. O defeito desagradou a Niemeyer. ''O ruim no livro é que não marcou as datas. De modo que, quando é coisa antiga, eu me sinto mais pessimista nas respostas. Respondo de maneira diferente. (...) Mas quando é coisa mais recente, minha posição é mais de esperança. O país está caminhando bem, o Lula está cumprindo o dever dele. Ele é amigo do povo, tem apoio popular, ele participa bem da luta política'', disse o arquiteto.
Outra razão para o neo-otimismo de Niemeyer, segundo ele mesmo, é a mudança que vê na sociedade norte-americana. ''Conheço bem os Estados Unidos, conheço bem o povo americano, o que tem de bom, o que tem de ruim. Houve um tempo em que o negro não entrava em certos ônibus, a discriminação social era violenta. Isso está mudando. O apoio que estão dando ao negro é uma prova de que o povo está evoluindo na luta contra a discriminação racial, que era a pior possível. (Obama) é um negro que está sendo aceito pelo povo americano.''
Em ''Crônicas'', Niemeyer lembra amizades antigas (Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e João Saldanha, entre outros), discute a arquitetura atual e antiga e reclama a necessidade de interromper o crescimento desordenado de Brasília, uma de suas grandes obras.
O arquiteto repete, cada vez mais, que os estudos recentes de filosofia e cosmologia firmaram nele a convicção de que, diante do universo, ''o ser humano, no final, não tem a menor importância''. ''Eu acho que é preciso a pessoa chegar ao ponto de ter prazer em ajudar o outro. A vida é um sopro.''
Outra preocupação manifestada pelo arquiteto é a juventude. ''O jovem sai da escola como especialista, só sabe os assuntos da profissão. Da luta política, (...) de fazer a vida mais justa para todos, ele não participa, não está preparado para isso. O momento agora é de esclarecer a juventude, que não lê, não participa de nada, entra na vida sem conhecer o bem e o mal.''

SERVIÇO
- Crônicas
Autor - Oscar Niemeyer
Editora - Revan
Páginas - 113
Quanto - R$ 30

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