Reprodução‘‘Se fosse me preocupar com os críticos, não teria feito nada de diferente, apenas repetido as formas’’, diz NiemeyerO arquiteto Oscar Niemeyer comemora seus 90 anos de idade hoje, sonhando com a cidade ideal. Para o criador do projeto de construção da cidade de Brasília, considerado um dos grandes responsáveis pela revolução da arquitetura mundial, essa cidade só será possível ‘‘quando houver justiça social e igualdade entre os homens’’.
Carioca de Laranjeiras, ele foi educado em colégios de padres, cresceu assistindo a celebrações de missa em sua casa mas não segue nenhuma religião. No entanto, sempre empenhou-se com carinho na idealização de templos religiosos. O que ele queria, mesmo, nos tempos de criança, era ser jogador de futebol. E, enquanto a maioria dos rapazes do seu tempo decidia estudar o curso da moda, a advocacia, ele optou pela arquitetura. Fez seu primeiro projeto há exatamente 60 anos, na Lagoa Rodrigo de Freitas - a ‘‘Obra do Berço’’.

ReproduçãoO edifício do Congresso Nacional foi construído em 1960O impulso definitivo em sua carreira foi dado a partir de sua amizade com o jovem médico mineiro Juscelino Kubitschek, que era prefeito de Belo Horizonte em 1940. Primeiro foram os projetos da Igreja de São Francisco, do Hotel da Pampulha, do cassino e do Iate Clube. Em 1947, teve a honra de ser incluído entre os dez arquitetos encarregados de apresentar o projeto da construção da sede da Organização das Nações Unidas (ONU). Seu projeto foi o escolhido, e ele trabalhou em conjunto com Le Corbusier, considerado o pai da arquitetura moderna.
Socialista No Brasil Niemeyer enfrentou problemas por se declarar socialista convicto, mas jamais abriu mão de sua ideologia. Mesmo tendo em seu currículo o projeto de construção da sede da ONU, teve cancelado pelo governo brasileiro o contrato assinado para o projeto de construção do Centro Técnico de São José dos Campos, apesar de ter sido o vencedor de um concurso nesse sentido. De acordo com as versões que correram na época, foi porque ele andou fazendo propaganda de um jornal do Partido Comunista.

ReproduçãoCadetral de Brasília: uma de suas obras mais bonitasEm setembro de 1956 recebeu não um convite, mas um desafio do então presidente Juscelino: trabalhar no projeto de construção de Brasília. Em suas palestras pelo País, ele costuma lembrar que, quando foi pela primeira vez com JK até o local onde seria construída a nova capital federal, se deu conta do tamanho do desafio: aquilo tudo era um imenso deserto. Mas o desafio estava lançado e foi vencido graças, segundo ele, à importante ajuda de Lúcio Costa - o responsável pela parte urbanística - e o engenheiro Joaquim Cardozo, muito sensível e criativo.
Ameaça Niemeyer viveu tempos difíceis durante o regime militar, quando chegou a correr risco de ser preso sob a acusação de ter dado dinheiro a guerrilheiros e de manter ligações com Carlos Marighela. A partir daí, resolveu mudar-se para a Argélia, onde fez o projeto de construção da Universidade de Constantine, em 1969. E passou a receber convites de várias partes do mundo, para idealizar novas obras. Na volta ao Brasil, projetou o obelisco da estátua de JK em Brasília, no qual se vêem claramente a foice e o martelo, e o Memorial da América Latina, em São Paulo.

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