São Paulo, 22 (AE) - Há três anos, quando esteve aqui pela primeira vez, o trompetista norte-americano Nicholas Payton tinha apenas 21 anos e foi "encaixado" no palco New Directions do Free Jazz Festival. Era um emergente. Agora, volta como estrela do Main Stage, o palco principal. É outra história. Payton é considerado um dos grandes da santíssima trindade do instrumento na atualidade, ao lado de Wynton Marsalis e Roy Hargrove. Está com a bola toda. Apresenta-se no último dia do festival, 17, com um espetáculo em homenagem ao centenário de Louis Armstrong, seu conterrâneo.
Em 1997, ganhou um Grammy pela composição "Stardust", do disco "Doc Cheatham and Nicholas Payton". Cheatham, lendário trompetista de 92 anos de New Orleans, morreu meses depois da gravação. A cotação de Payton subiu de maneira vertiginosa. No entanto, diz que não se abala com a reputação de ser o mais impressionante trompetista da nova geração.
"Estou apenas tentando ser o melhor músico que puder", disse Payton, em entrevista por telefone, na terça-feira. "Eu tenho tido muita sorte de fazer shows por todo lugar do mundo e conhecer músicos como Elvin Jones e Ellis Marsalis", afirmou.
A ambição de Nicholas Payton não se encerra no palco. Ex-aluno de Ellis Marsalis e colaborador de Wynton Marsalis e Marcus Roberts, ele sonha criar uma fundação para abrigar iniciantes do gênero e também quer dedicar-se a encontros com mestres do gênero, uma espécie de academia do jazz. "Minha esperança é que eu possa dar uma contribuição positiva para as vidas das pessoas e para a música", afirma.
É um músico maduro, apesar da pouca idade. Nascido em New Orleans, Payton começou seu aprendizado sob os cuidados dos pais, o baixista Walter e a cantora de ópera e pianista Maria. Aos 4 anos, ele ganhou o primeiro trompete e começou a estudar o básico. A mãe é a responsável pela educação mais clássica.
Mas foi sob a atenção do velho Ellis Marsalis, o patriarca do clã Marsalis, que ele sofisticou sua música. Quando tinha 13 anos, pediu uma audiência com Wynton Marsalis, que ficou impressionado. Mas havia algo mais a aprender e o músico mostrou a Payton a arte da improvisação, ainda incipiente em seu estilo.
Wynton Marsalis passou a escalar Payton em sua banda e a recomendá-lo para outros band leaders. Com o veterano baterista Elvin Jones, Payton diz que aprendeu sobre o "companheirismo e a seriedade" que precisam existir no mundo do jazz. Com o pianista Marcus Roberts, Payton trabalhou no verão de 1990.
Depois, veio o encontro com Clark Terry, com quem Payton cumpriu outra temporada na estrada - mais especificamente, durante um cruzeiro no navio S.S. Norway Jazz Cruise. Com Terry, Payton conta ter aprendido "um bocado sobre a alegria e a felicidade da música".
De maio a julho de 1992, Payton excursionou com o Jazz Futures, que reunia alguns notáveis jovens músicos da atualidade. Gravou seu primeiro disco como band leader em 1995, "From This Moment", pela Verve Records. Depois, vieram "Gumbo Nouveau" (1996) and "Paytons Place" (1998).
Em fevereiro, já com um Grammy na bagagem, gravou com o DePaul Jazz Ensemble, em um concerto realizado pela escola de música do mesmo nome. "Ficamos extremamente honrados e animados por tocar com um dos mais brilhantes jovens músicos da atual cena jazzística", disse o trompetista Bob Lark, diretor do conjunto de 18 integrantes do "DePaul Ensemble". O grupo já teve como convidados James Moody, Nancy Wilson e o próprio Clark Terry.
Apesar da reputação, Payton pode ser encontrado eventualmente no clube Snug Harbor, no quarteirão francês de New Orleans, tocando suas composições preferidas. É o seu ambiente natural - portanto, ninguém mais habilitado para homenagear Louis Armstrong.

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