E se alguém o convidasse para passar um ano inteiro em 1964, dentro da vida de um menino de 10 anos, filho de um seleiro analfabeto e uma dona de casa que lavava roupa para fora, vivendo com outros cinco irmãos na periferia e convivendo com gente comum, numa espécie de Lado B da história conhecida de Londrina? Este é o convite que o londrinense Ney Inácio, jornalista, ator/autor/ diretor de teatro e documentarista faz no seu primeiro livro “O menino que virava do avesso - Londrina 1964”. Com 394 páginas de memórias autobiográficas, o livro será lançado nos próximos dias 9 e 10 de setembro, na 28ª Bienal do Livro de São Paulo, a convite da Maripuara Editoração, o evento acontece de 4 a 13 de setembro. O autor dará autógrafos no dia 9, a partir das 11 horas, e no dia 10, à partir das 21 horas.

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A ideia inicial de Ney Inácio era lançar o livro primeiro em Londrina – o que vai acontecer, em 22 de setembro, no SESC Cadeião Cultural, dentro da programação Primavera no Museu. Mas surgiu o convite para a Bienal, feito por uma pessoa da editora que já o conhecia de outros trabalhos e que viu, em suas redes sociais, a capa do livro. “Essa pessoa me convidou e não pude resistir de estar na Bienal com meu primeiro livro”, conta.

O livro começa de um encontro fictício entre um homem já idoso (o próprio Ney) com uma criança curiosa que pergunta se a vida demora a passar ou voa rápido demais. O homem responde com uma proposta irresistível: “Vou te contar um ano da minha vida, quando eu tinha 10 anos. Aí você tira suas próprias conclusões”.

MEMÓRIA

Segundo Inácio, a narrativa é memória pura, sem dados acadêmicos ou pesquisa documental. “Minha base foram minhas lembranças e sempre tive uma memória perfeita. Quem me conhece sabe que, mesmo nas minhas reportagens, nunca precisei anotar nada, nem nomes, datas, fatos”, conta. Seu método para reviver tudo e passar para o papel foi simples: ia até aos locais em que viveu (mesmo que não existissem mais), sentava no meio fio da calçada e lembrava. Aliás, passar para o papel é modo de dizer. Ali mesmo, onde estava, ele escrevia com dois dedos no aplicativo de anotações do celular. “O livro inteiro está aqui, no meu telefone. Isso deu uma certa dor de cabeça para a edição”, brinca.

O livro tem um significado especial para o autor, que o escreveu durante o tratamento de um câncer, tomando 17 medicamentos por dia, além de fazer quimio, radio e hormonioterapia simultaneamente. “Eu estava só o pó da rabiola. Até que, um dia, encontrei uma senhorinha no Hospital do Câncer. E ela me disse uma coisa que nunca esqueci: ‘o câncer, ele gosta de pessoas fracas para montar em cima’. Aí pensei, o que posso fazer para continuar produtivo, para que o câncer ‘não monte em cima’ de mim? Trabalho eu não conseguia, porque ninguém dá trabalho para uma pessoa em tratamento de câncer. E sempre tive vontade de escrever. Aos 71 anos, achei que era a hora de contar as histórias que estavam na minha cabeça”, explica.

“O menino que virava do avesso - Londrina 1964” resgata parte dessas histórias. O livro mergulha na Londrina periférica, que sempre ficou longe das biografias dos pioneiros e da narrativa oficial de uma cidade conhecida pelas “oportunidades” que atraiam os migrantes de todo País e exterior. Vista pelos olhos de Kiko (apelido familiar do próprio Ney), um menino inquieto, curioso e criativo e que vivia “virando tudo do avesso”, como dizia uma de suas tias, o livro é a saga de uma das milhares de famílias que se deixaram seduzir pelas promessas de fartura e largaram tudo em seus estados para plantar café no Paraná.

PERSONAGENS FOLClÓRICOS

No livro também estão personagens folclóricos que a história oficial nunca destacou e as gerações mais novas não conheceram: o Prefeito da Vila Nova, o Diamante, o Equilibrista e outros tipos “diferenciados” que povoavam Londrina. “Além disso, mostro o trabalho de muitos que estão fora do Memorial dos Pioneiros, ali na Praça Primeiro de Maio”, conta. “Os tropeiros, com seus causos e lendas, cruzam as páginas carregando animais e histórias, o seleiro – meu pai -, o carroceiro, o bucheiro e outros ‘eiros” ignorados pela crônica oficial”, diz.


“O menino que virava do avesso - Londrina 1964” não é só a história de uma família. É o retrato de milhares que chegaram a Londrina e foram apagados dos registros oficiais pelo sucesso de alguns. “É um misto de memória afetiva, crítica social e homenagem aos que nunca subiram no palco das comemorações oficiais”, diz o autor.

Ao virar as páginas, o leitor vai rir das peraltices, se indignar com as injustiças, se emocionar com a luta de avós, pais e mães que insistiram em sonhar com uma vida melhor. E, no fim, como um bônus, também vai descobrir o que aconteceu com alguns dos personagens mais marcantes da história. Tudo isso acompanhado por uma playlist de músicas que embalaram o ano de 1964.

* Com assessoria.

Imagem ilustrativa da imagem Ney Inácio lança livro sobre Londrina na Bienal de SP
| Foto: Divulgação

SERVIÇO:

Lançamento do livro “O menino que virava do avesso – Londrina 1964”

Autor: Ney Inácio

Editora : Kan

394 págs.

Lançamento: 9 e 10 de setembro

Estande da Maripuara Editoração – 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo -

Localização: Distrito Anhembi

Valor: R$98,00

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