Neta de Chaplin abre FILO
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terça-feira, 03 de junho de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
O mundo anda de pernas para o ar, quando a lógica abandona o que lhe prende ao chão. Em L'Oratorio d'Aurelia, espetáculo com Aurélia Thierrée, neta de Charles Chaplin (1889-1977), a incoerência é o principal argumento da imaginação, antecipando, já na abertura do Festival Internacional de Londrina (Filo) hoje, às 20h30, no Teatro Ouro Verde, os encontros improváveis que o público terá nas mais de 100 apresentações, que acontecem até dia 22.
L'Oratorio d'Aurelia abre a programação comemorativa dos 40 anos do festival mais antigo da América Latina.
Nas 47 apresentações teatrais de 15 companhias internacionais de 11 países, como Argentina, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Peru, República Tcheca e Suíça, e 32 nacionais, a síntese da diversidade de linguagens que sempre acompanhou a trajetória do Filo também é personagem nesta edição.
Um protagonismo da qualidade demostrado nas participações do teatro de Eugenio Barba e o Odin Teatret, com ''Andersen's Dream'' (Dinamarca), Peter Brook e a peça ''Fragments'' (França). Philippe Genty (França) e o espetáculo ''La in des Terres'' completa o elenco de mestres da pesquisa teatral e do trabalho de atores da arte teatral universal.
Para se ter uma idéia do que representa a escalação desses nomes para o Filo, há pelo menos cinco anos o festival vem tentando trazer o teatro de Peter Brook que, ao contrário dos dois outros convidados, não acompanhará a atuação do grupo francês Theatre des Bouffes du Nord, já que não viaja mais em turnês.
''Pensamos nessa programação para homenagear o próprio festival e o público. O próprio material de divulgação do Filo quer dizer isso. Queríamos que ficasse tatuado na memória do público. Pensando nisso, priorizamos espetáculos de qualidade e que fossem representativos de um panorama bastante interessante. Estamos também com um formato diferente. Começamos em junho, na Exposição Agropecuária. Essa é a segunda etapa, a mais importante, mas é no dia 12 de outubro que comemoramos realmente o aniversário do Filo, quando pretendemos lançar um livro sobre a história do festival e uma exposição'', afirmou o diretor do Filo, Luiz Bertipaglia, durante entrevista coletiva ontem pela manhã, em que participaram também o secretário de Cultura, Luciano Bitencourt, o vice-reitor da Universidade Estudual de Londrina (UEL), César Antonio Caggiano Santos, e a diretora da Casa de Cultura da UEL, Janete El Haouli.
Comemoração que inclui na programação, os londrinenses do Armazém Companhia de Teatro, radicado no Rio de Janeiro, com a peça ''Mãe Coragem e seus Filhos'', e Mário Bortolotto e o Cemitério de Automóveis (SP), com ''Chapa Quente''.
Adriano Garib, ator londrinense, também está no espetáculo ''Deve Haver Algum Sentido em Mim que Basta'', da Cia. Teatro Autônomo.
Os 40 anos do Filo não ficaram imunes aos percalços do orçamento que deve ser fechado em R$ 1,85 milhão, sendo que o caixa do evento tem até agora R$ 1,45 milhão.
A Prefeitura, através do Programa de Incentivo à Cultura (Promic), está repassando R$ 300 mil ao evento. A organização do festival espera receber outros R$ 300 mil do governo estadual. Na edição 2007, o Estado não cumpriu com o compromisso de repassar recursos para o Filo.
''O festival custaria pelo menos R$ 3 milhões. Precisamos fazer algumas parcerias. Os custos da vinda da companhia de Peter Brook estão sendo dividido com outras cidades que também receberão o espetáculo. Aurélia será vista em outras sete cidades, Genty por outras cinco. Somente assim conseguimos trazer esses espetáculos. O orçamento que temos para a realização do Cabaré dá para cobrir o aluguel do barracão, os custos do som e iluminação. Por isso está mais caro este ano. O público está tendo que pagar o cachê dos artistas'', comentou Bertipaglia.
Aurélia, atriz que abre o festival, traz uma tradição artística com raízes profundas em sua árvore genealógica. O bisavô, Eugene O'Neill (1888-1953), ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1936.
O território artístico dominado pela família dessa francesa, que nasceu em Montpellier, é ainda mais vasto e de terras férteis, sendo a mãe, Victória Thierrée Chaplin e o pai, Jean-Baptiste Thierrée, dois grandes nomes da arte circense. O casal foi pioneiro do novo circo ao criar as companhias ''Cirque Invisible'' e ''Cirque Imaginaire''.
Com reapresentações amanhã e sexta-feira, a montagem, dirigida por Victória levará o público até o imprevisível, reunindo teatro, música, dança, acrobacias e marionetes.
Sob a direção da mãe, Aurélia visita um mundo fantástico e de seres que vivem onde a lógica não é o chão, mas as alturas da imaginação.
SERVIÇO
- L'Oratorio d'Aurelia
Quando - Hoje, amanhã e sexta-feira
Onde - Teatro Ouro Verde, 20h30
Quanto - R$ 20, R$ 15 e R$ 10
Bilheteria - Shopping Royal Plaza e na portaria do teatro uma hora antes do espetáculo


