‘‘Nenhum livro me deu tanto prazer’’
‘‘Ensaio da Paixão’’ está sendo lançado pela Rocco porque Cristóvão Tezza tem um acordo com a editora de reeditar paulatinamente todos os seus livros, devidamente revistos, desde que haja interesse nisso. Quando preparava ‘‘Breve Espaço Entre Cor e Sombra’’, seu último romance, o escritor precisou viajar à Itália. Em troca do auxílio à viagem, vendeu os direitos do ‘‘Ensaio’’ para a Rocco.
‘‘Este é um livro que assino embaixo sem medo nenhum. Às vezes você tem coisas de juventude que não dá vontade de reeditar, mas este tem o que dizer neste final de século’’, afirma. A segurança sobre a obra não veio de imediato. ‘‘Comecei a reler o romance meio assustado. Mas depois entrei no livro mesmo, saborosamente. Foi muito agradável.’’
No transcorrer das páginas encontrou falhas e em ‘‘muitos momentos uma certa imaturidade do escritor’’, devidamente reescritos. ‘‘Este certamente não é meu melhor livro, mas nenhum outro me deu tanto prazer escrever. Reescrever foi uma atividade saborosa.’’
Esta experiência seria a ventura de ser mestre e aluno ao mesmo tempo? ‘‘Eu acho que sim. Acho que todo escritor depois de uma certa idade tem essa dupla dimensão. Ele precisa ter esse olhar para si mesmo com uma certa humildade, saber que ninguém nasce pronto. Eu particularmente nunca fui precoce. Literatura para mim é um processo muito demorado de maturação’’, encerra.
(Z.C.L.)

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