Nem tudo que é bom ganha Oscar
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004
France Presse 
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas nem sempre foi famosa por reconhecer seus maiores talentos. Muitas vezes, movidos por um excessivo sentimentalismo ou seduzidos por uma boa campanha de publicidade, os membros da Academia acabam elegendo filmes e atores que depois são considerados verdadeiros ''horrores'' do cinema.
''A Academia já premiou filmes péssimos como ''Sonhos do Passado'' (Save the Tiger, 1971) e ''Temporada de Caça'' (Affliction, 1998)'', diz o especialista em Oscars Tom O'Neil. ''A Academia quis fazer um tributo a James Coburn e Jack Lemon (que atuavam em 'Sonhos do Passado') e assim foi'', explicou.
Nenhum especialista em cinema, por exemplo, entende como o filme ''Aeroporto'' (Airport, 1970), sobre uma tragédia aérea, obteve dez indicações ao Oscar e recebeu uma estatueta. O ator Burt Lancaster foi muito franco quando soube da indicação do filme ''Aeroporto'', no qual foi protagonista.
Ele declarou: ''Não sei como nominaram um lixo desses.''
Os especialistas acreditam que muitas vezes o Oscar acaba sendo um prêmio de consolação. ''A Academia não só premia o melhor filme, mas também olha quem ainda está dentro do clube, quem não está e quem se deve compensar por trabalhos anteriores não reconhecidos'', acrescentou O'Neil.
A lenda-viva Elizabeth Taylor foi a primeira a se surpreender ao receber o Oscar de Melhor Atriz pelo filme ''Disque Butterfield 8'' (1960). Ela não foi a única. Pouco depois, os especialistas concordaram que este Oscar recompensava a atriz que antes ficou sem o prêmio apesar da excelente interpretação em ''Gata em Teto de Zinco Quente'' (Cat On a Hot Tin Roof, de 1958). O prêmio de Melhor Atriz daquele ano ficou com Susan Hayward, que caiu no esquecimento, assim como o filme ''Quero Viver'' (I want to Live!), que lhe rendeu o Oscar.


