Nem tudo o que parece é
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sábado, 21 de abril de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
No filme Brokeback Mountain, na montanha em que dois caubóis rolaram na relva, talvez eles diriam que um touro preto sempre reconhece o outro. Porém, na night, todos os gatos são pardos e até um aparente gatão tipo angorá, sobrando pêlo no corpo, pode miar finiiinhoo.
Numa rápida corrida de olhos em uma pista de dança não dá para descobrir quem é bofe - hetero convicto até mesmo sem o último fio de cabelo no peito, que sucumbiu ao modismo da pele lisinha à força da depilação. Muito menos, o Bobby - biba metida a bofe; a Barbie - gay estufado e malhado e a Susie - musculosa naturalmente.
Ainda que o DJ toque um pot-pourri do Abba, começando com ''Dancing Queen'' e terminando com ''Mamma Mia!'', engatando alguns hits de Madonna,- um teste e tanto para nervos de aço resistirem dentro do armário - é uma missão quase impossível saber quem é quem.
São Francisco, na Califórnia, é a cidade mais ''amigayvel'' do mundo, onde tudo acontece primeiro quando o assunto é cultura gay.
É das pistas de dança da capital gay do planeta - fama que a cidade conquistou na Segunda Guerra Mundial ao acolher os soldados gays que voltavam do combate - que algumas novidades da cultura e estética gay partem em direção ao resto do mundo.
A nova onda agora é desfilar um corpão sarado, contrastando com estereótipo gay.
Em boates gays brasileiras, como a Le Boy, a maior do Rio de Janeiro, a noite esquenta quando na pista, fortões que puxam ferro todos os dias e os que compram implante de peitoral de dar inveja ao Mister Universo, tiram a camisa para mostrar o corpo turbinado.
O comunicador social londrinense Paulo Wesley Faccio, 37 anos, é gay e diz que cuida da própria estética sem almejar o modelo barbie. Ele frequenta a academia até quatro vezes por semana e também faz yoga, buscando equilíbrio do corpo.
''Alguns gays buscam um comportamento masculino no seu rótulo para sofrer menos preconceito da sociedade, atrás de um escudo, uma montanha de músculos. É uma forma de se proteger'', afirma Faccio.
Além do arco-íris, o culto ao corpo pode faciliar a saída do armário. ''As pessoas co-relacionam o gay com o conceito feminino. O imaginário no País, quando alguém sai do armário, principalmente para a família, é que o filho vai virar travesti, será uma bichinha toda trá-lá-lá. A família prefere, os que passam despercebidos'', avalia o comunicador.
Com um jeito ''Village People'' de ser, muitos gays abatem novos parceiros com a força e exibição de bíceps e tríceps.
''Certamente, quando você é uma pessoa que cuida do corpo se torna mais sexy e atraente e os outros olham e desejam, facilitando as relações. Não sei se a intenção é verdadeira ou se somente estão buscando a imagem'', avalia Faccio sobre mais essa novidade amadrinhada pela titia Gloria Gaynor.


