Nem o céu é o limite
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segunda-feira, 02 de outubro de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Desvendar a origem da vida e os mistérios do universo é um desejo que sempre povoou a imaginação das pessoas e, com esses objetivos, temas relacionados à astronomia ganham cada vez mais força. Recentemente, a notícia de que Plutão deixou de ser classificado como o nono planeta dentro do Sistema Solar virou destaque na imprensa internacional (leia artigo nesta página). Assunto aparentemente tão distante do nosso cotidiano nos faz pensar sobre os avanços da ciência nessa área e do quanto eles influenciam a nossa sociedade. Parte da proposta curricular do Paraná, da pré à 8 série do Ensino Fundamental, desde 1991, a disciplina de astronomia não é aprofundada pela falta de uma capacitação adequada dos professores. Para suprir essa demanda, e encantar alunos de todas as idades sobre as formações celestes e as suposições sobre as origens da vida, está em fase de finalização o Planetário de Londrina, ao lado da Super Creche, que pretende atender um público de 85 mil pessoas por ano. A abertura ao público deverá ocorrer em fevereiro do ano que vem.
A instalação do projetor está prevista para o próximo dia 18, segundo a diretora do Planetário, a professora doutora Rute Helena Trevisan, do Departamento de Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além de oferecer cursos de capacitação para professores e alunos de especialização e visitas monitoradas para escolas da cidade e região, o espaço vai ser aberto uma vez por semana ao público em geral.
Depois de 14 anos do início da construção, uma parceria entre o Departamento de Física da Universidade Estadual de Londrina - pelo projeto de extensão Museu de Ciência e Tecnologia da UEL, que também prevê a instalação do Observatório da UEL, sendo que o Centro de Ciências já está em funcionamento - e a Prefeitura deverá finalizar o prédio. Reparos estruturais e da parte elétrica fazem parte da conclusão da obra - sob a responsabilidade da Construtora Roterplanos, de Cornélio Procópio -, conforme dados do engenheiro civil Marcelo Carneiro, da Prefeitura.
Pelo seu formato de abóbada, o prédio já chama a atenção à primeira vista. O projetor do planetário - da marca italiana Gambato, comprado em fevereiro, no valor de R$ 400 mil, foi custeado com recursos da Fundação Vitae. Uma exposição permanente de objetos antigos utilizados em astronomia e mostras itinerantes sobre o assunto também deverão ser realizadas no prédio.
Na sala de projeção, a simulação de um pôr-de-sol, acompanhado de música clássica, fará parte do clima da ''viagem rumo ao universo''. O público ficará sentado de forma circular - incluindo lugares para cadeirantes - e as sessões serão diferenciadas por idade escolar dos participantes.
''A astronomia é de grande interesse da população em geral porque o homem está sempre em busca das suas origens e, pensando no sistema solar, que no início era formado por um protosol, que podemos chamar de um 'sol embrionário', o ser humano foi originado. Podemos pensar que já fomos estrelas um dia, já que elas fabricam os átomos pesados dos quais somos formados. Mas não é fácil conseguir originar a vida, são necessárias condições muito especiais'', ponderou a professora Rute, pontuando sobre uma das hipóteses sobre a origem da vida.
Duas planetaristas formadas em Física ficarão responsáveis pelo trabalho didático com o público - Juliana Romanzini e Vanessa Queiroz. O treinamento delas já incluiu visitas aos planetários de Campinas e do Rio de Janeiro. A próxima etapa é visitar o Planetário de Vitória (Espírito Santo). ''Ficamos admiradas com o encantamento das crianças quando observam as estrelas pela primeira vez, elas chegam a bater palmas de tão felizes. E, o melhor, é ver, no final, a quantidade de questionamentos que fazem aos planetaristas, que precisam estar muito preparados para essa tarefa'', afirmaram.
Segundo elas, ainda hoje é muito comum verificar crianças e adolescentes que ainda pensam ''como os babilônios'', que acreditavam que o mundo era uma esfera, em que os seres humanos estavam no seu interior. ''Visitar o planetário é também a oportunidade de observar a projeção do céu sem a poluição cotidiana das cidades, que escondem, entre outras formações celestes, milhares estrelas'', comentou Vanessa.
O trabalho de observação celeste também poderá ser complementado com as atividades já realizadas pelo Grupo de Astronomia, Astrofísica e Ensino de Astronomia do Departamento de Física, que a cada 15 dias fazem observações noturnas do céu, permitindo a participação de leigos. Mais informações sobre o grupo pelo telefone (43) 3371-4156.
A astrônoma Rute Trevisan (no detalhe) na sala onde será instalado o projetor do Planetário de Londrina: Podemos pensar que já fomos estrelas um dia, já que elas fabricam os átomos pesados dos quais somos formados


