Nem Freud explicaria
Como há sempre dois ou mais títulos hollwyoodianos em lançamento simultâneo, fica fácil traçar a linearidade entre as produções. É notável como os filmes se parecem uns com os outros, reproduzindo as poucas virtudes e multiplicando os muitos equívocos. É o caso desta que seria uma comédia, não fosse acometida subitamente pelo andamento do melodrama.
Em Terapia do Amor, Uma Thurman é Rafi, 37, divorciada há nove e arrependida por não ter tido um filho. Faz análise com a psicanalista Lisa Metzger (Meryl Streep), que a anima a ter experiências sexuais e sentimentais, a se amarrar no presente, desligando-se do passado e do futuro. Rafi conhece o pintor boêmio David (Bryan Greenberg), vinte e poucos, solteiro e cansado da típica mãe judia e possessiva. Que não é outra se não a psicanalista de Rafi.
Um traçado de equívocos com possibilidades cômicas, e que lamentavelmente se dissolvem num melodrama infestado de convenções. Tais como: exteriores e interiores de Nova York, fatigantes celebrações familiares judias e esteticistas imagens de encontros sexuais. A comicidade se reduz ao incômodo da mãe obrigada a ouvir com objetividade profissional os detalhes íntimos entre seu filho e sua paciente e é quando a grande Meryl Streep supera seu inverossímil personagem de mãe judia ortodoxa/psicanalista liberadora de castrações materno-filiais.
Mas o triunfo acaba sendo mesmo do drama, porque a visão que o diretor Ben Younger tem do amor é triste, dramática e pobre. E ele mal consegue disfarçar a busca desenfreada (e salvadora) do espírito de Woody Allen. Que afinal não dá as caras. (C.E.L.J.)





