Nem drama, nem terror
Terror e drama manifestam quase sempre antagonismo congênito e até mesmo sobrenatural, quando postos lado a lado num mesmo filme. Uma fusão bem sucedida seria um clássico como ''O Exorcista'' e o excelente ''O Exorcismo de Emily Rose'', mas estes são exceções, não a norma. ''Evocando Espíritos'', em lançamento nacional a partir de hoje (confira a programação de cinema na página 2), não é exatamente o exemplo mais infeliz desta combinação, mas também não será nada memorável. O filme poderia ter sido um estranho drama ou quem sabe uma genial narrativa de terror. Não é nenhum dos dois.
A história, livremente baseada em fatos ditos verídicos, tem um inicio que investe corretamente na criação de uma atmosfera sombria ao apresentar a família Campbell e seus motivos para se instalar numa casa com passado macabro. Mas depois de alocados, o restante da narrativa caminha de desequilíbrio em desequilíbrio, oscilando entre cenas-susto e cenas-melodramáticas. Claro que logo o tempero azeda, e não há mais espírito, do bem, do mal ou de porco, que consiga dar jeito.
Matt (Kyle Gallner) sofre de espécie rara de câncer terminal. Decidida a tudo para tentar curar o filho doente, a mãe (Virginia Madsen) leva a família para morar na velha casa - ela conhece a história perturbadora, mas... - que fica próxima ao hospital onde Matt recebe tratamento experimental.
Não se duvida que os tais fatos reais que serviram de fonte sejam de fato aterrorizantes, mas sua chegada à tela é muito problemática. O diretor debutante Peter Cornwell não consegue evitar a discrepância entre o melodrama com o sofrimento familiar diante da doença e o material, digamos, macabro, todo embalado pelas mais velhas e gastas fórmulas do gênero, sugadas principalmente de experiências bem mais sólidas, como ''Terror em Amityville'' (o primeiro) e ''Poltergeist''.
Apesar de sua instabilidade enervante, ''The Haunting in Connecticut'' vai agradar espectadores que gostam de se assustar no cinema - não são poucos, embora discretos. Ao final, fica a impressão de que talvez um documentário estilo Discovery Channel, ouvindo as experiências com os hóspedes que viveram de fato na casa, funcionasse melhor. (C.E.L.J.)





