Logo no inicio deste século, Meg Ryan tomou duas decisões vitais em sua carreira. Uma, abandonar a comédia romântica. A segunda: entregar-se às mãos do pior cirurgião plástico em atividade nos dois hemisférios, quem, com enorme eficiência, fez jus a esta fama, desfigurando aquele até então belo, impecável rosto da atriz.
Próxima de completar 47 anos, ela decidiu rever a primeira das intenções - para a segunda não terá mesmo mais jeito. Voltou a trabalhar no gênero que lhe deu a certeza de ser, por um bom tempo, a sonhadora namorada de todo um país. Mas o que está aí estreando hoje em circuito nacional (veja a programação de cinema na página 2), este 'Mais do Que você Imagina', poderia ter sido evitado. Não somente pela moça, mas pelos demais responsáveis. E por nós, do lado de cá na platéia.
Como sustentação de argumento, temos um rígido agente federal, Henry (Colin Hanks, filho de Tom Hanks, parceiro de Meg em mais de uma oportunidade - há alguma ironia neste casting, já que no filme o rapaz interpreta o filho dela). Henry está empenhado em seguir muito de perto os passos de um exímio ladrão de obras de arte, Tommy (Antonio Banderas). O que o agente do FBI vai descobrir também é que mamãe Martha-Meg está envolvida até as entranhas com o suspeito.
Neste filme insípido, aborrecido e lamentável, as tentativas de fazer comédia não têm qualquer graça, e o romantismo somente se intui nas situações de duplo sentido sexual. Quanto ao elenco, Banderas faz o que pode por um personagem totalmente indefensável. E o filhote de Hanks aos 25 anos demonstra que aquela história antiga de ''filho de...'' continua servindo para abrir portas, embora isto não signifique a garantia de ter herdado nem uma só grama do talento - discutível, para alguns - do progenitor, que ostenta dois Oscar sobre a lareira. A respeito de Meg tudo já foi dito. E, ah, sim, quem dirige é George Gallo. Se isto faz alguma diferença.

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