Nelson Motta em fase produtiva
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de julho de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Nelson Motta está em evidência nas livrarias com Noites Tropicais, livro cujas páginas guardam vívidas lembranças dos bastidores da música brasileira. Os textos são apaixonantes e mostram ao leitor o prazer do autor na burilação de suas memórias. Na quinta-feira o compositor, produtor, diretor artístico, crítico musical e revelador de talentos Marisa Monte, por exemplo esteve na capital e, durante uma entrevista na Livrarias Curitiba, garantiu que seus planos futuros estão voltados para a escrita.
Quero escrever, é o que mais quero fazer, o que mais gosto, ele disse. Não preciso de músico, de câmara, de microfone, de produção, de nada. Sou eu e o computador. Me dá uma sensação de liberdade muito grande, e de responsabilidade também. Da safra criativa poderão, inclusive, frutificar romances, como revelou.
Pois bem, estaria ele burilando uma trama ficcional? Tenho muitas idéias, desconversou, sem dizer sim nem não. Comentou que o momento é de criar coragem para essa dedicação. Se ainda não está totalmente envolvido com a literatura, anda perto: O que tenho feito muito são letras de músicas, que há tempos eu não produzia.
Um dia antes de embarcar a Curitiba recebeu de Guinga um choro jobiniano, que é mais uma de suas pérolas. Já o novo disco de Ed Motta, que virá em breve, terá três músicas da dupla; no ainda inédito Acústico MTV, de Lulu Santos, Nelsinho assina Deusa da Ilusão. Colocou ainda letra numa bossa nova jobiniana linda, de Marcos Valle e Dé, ex-baixista do Barão Vermelho, batizada de Ipanema de Jobim. Por último, tem um reggae com Tony Garrido. Então estou voltando com tudo na minha atividade de letrista. Foi sem querer, foi pintando, justificou. Para o público, um recado: Vão ter que aturar muita música minha.


