Nelson Capucho
Nelson Capucho
O presidente, a estagiária e o charuto
Anos atrás, em algum lugar da Casa Branca.
- O sr. mandou me chamar?
- Oh, yes, yes, srta. Mônica...entre, entre.
- Hum, como tudo é bonito nesta sala! O tapete é bem macio, hem? Aqui tem um clima tão...tão...erótico.
- Tenho uma missão especial para você - diz o presidente, aproximando-se da moça, por trás.
- Sério? Pode pedir o que quiser.
- Qualquer coisa?
- O senhor sabe, sou sua fã incondicional.
Ele vai se encostando:
- Perfume delicioso.
A estagiária sorri, maliciosa:
- Ai, o que é isto?
- Hem?
- Senti uma coisa dura...
- Oh, sorry. É só um charuto.
- Ah, um charuto!
- Havana legítimo. Ganhei de um amigo que esteve em Cuba, coloquei no bolso. Sou meio esquecido.
- Que pena. Mas o que o sr. quer de mim?
O presidente se afasta, esfrega as mãos nervosamente.
- Nem sei como lhe dizer.
Ela levanta parte do vestido, exibindo a coxa roliça.
- Acho que a minha meia desfiou.
- Aposto que não é um produto americano.
- Posso sentar um pouquinho naquela poltrona ali?
- Oh, yes, yes.
A moça se espreguiça:
- Huuummm, sinto o poder entrando assim por baixo...dá uma coisa.
- Yeah! Ótimo, ótimo! Aguarde dois minutinhos. Vou ao banheiro e já volto.
Logo o presidente reaparece, com uma expressão de alívio e um pequeno frasco na mão. A estagiária fica intrigada.
O homem mais poderoso do mundo esclarece:
- Estou fazendo um check-up médico. Só faltava o espermograma. Acho que desta vez consegui coletar a quantidade que precisava.
- Mas...e a minha missão?
- Oh, yes, yes. Vou colocar o material em um envelope e você vai levá-lo pessoalmente até o doutor Andersen, urologista oficial do Pentágono. Preciso de alguém de absoluta confiança. Imagine se isto caísse nas mãos de meus adversários políticos, quantos problemas não poderia trazer para a nação.
A moça se levanta, aperta contra o peito o frasco já devidamente embalado.
- Oh, Bill! Obrigada por confiar em mim. Esta missão vai mudar a minha vida.
- Que é isso, baby, não exagera...
Bronca
O ilustre professor Newton Freire-Maia, doutor do Departamento de Genética da Universidade Federal do Paraná, envia-me simpática correspondência com a finalidade de dar um puxão de orelha no mau aluno que assina esta coluna. Na crônica do último dia 21, escrevi que as teorias do personagem Rubão não poderiam ser comprovadas cientificamente. O professor Freire-Maia lembra que nenhuma teoria científica, por definição, pode ser provada.
Elas podem ser apenas corroboradas e, quando essa corroboração é elevada, as teorias são aceitas como verossímeis (quase-verdades, de acordo com Newton C. A. Costa). A ciência - prossegue o mestre - é, realmente, a procura da verdade absoluta, da verdade-verdadeira, da verdade correspondencial. Mas quando a encontra não dispõe de meios para distinguí-la da quase-verdade. O poder da ciência, neste âmbito, é modesto.
Quem quiser verdades absolutas deve procurá-las fora da ciência: na religião, na política, nas torcidas de futebol...
Informei meu amigo Rubão sobre a bronca que levei. Ele riu, sarcástico: Bem feito. Depois comentou, sério: Esse professor é dos nossos.
Mas não é só isso. O professor Newton Freire-Maia não perdoa sequer a licença, digamos assim, poética-popular deste cronista, que entre outras bobagens costumeiras atribuiu a Darwin a informação de que o homem descende do macaco. Nenhum cientista disse um absurdo como esse. O homem - e todos os demais seres vivos (animais, plantas, micróbios...) derivam de ancestrais comuns e, por isto, estão ligados por relacionamento genético.
Essa é a grande beleza da teoria da evolução, altamente corroborada por toda a Biologia, conclui o professor.
E o pior, mestre, é que esta besta aqui leu A Origem das Espécies (provavelmente uma versão escolar) quando tinha 13 anos e, mais recentemente, percorreu as páginas do Esboço de 1842 (a primeira versão da teoria). Pela leviandade cometida em meu texto do dia 21, peço perdão não apenas aos biólogos, ao finado Charles Darwin e a todos os leitores, mas, principalmente, aos macacos.
TOKS.TOKS.TOKS.TOKS
A amiga Rosana Bond, autora de Nicarágua - A Bala na Agulha e vários outros livros, tem-se revelado também incansável pesquisadora. Ela acaba de lançar A Saga de Aleixo Garcia, O Descobridor do Império Inca (Editora Insular/Fundação Franklin Cascaes, 86 págs.). Rosana trabalhou aqui na Folha e reside há alguns anos em Florianópolis. Em A Saga de Aleixo Garcia ela dá um furo de reportagem de 500 anos: prova que o verdadeiro descobridor dos incas não foi o espanhol Pizarro, mas um brasileiro (que morava em Florianópolis). Incrível.
Recebo do economista e ex-deputado federal Hélio Duque, ex-companheiro de jornal Panorama (1975-1976) , exemplar de O Exercício da Coerência (Editora Clichepar, 488 págs.), livro que reúne seus discursos parlamentares. Prefácio de Sebastião Nery.
Artes plásticas em alta em Londrina. No Catuaí Shopping Center, a exposição comemorativa aos 50 anos da Folha reúne obras de 34 artistas. Na Sala José Antonio Teodoro (Praça 1º de Maio, 110), será aberta hoje, às 20h30, a mostra Sentimentos do Mundo, com trabalhos dos artistas da Oficina de Arte Contemporânea. E na Sala Celso Garcia Cid (Cine-Teatro Ouro Verde), a intrigante instalação O Jardim, do mineiro radicado na Alemanha, Jairo de Pádua, o Julin. Bons motivos para sair de casa.





