Nelson Capucho
Só o socialismo
salva o capitalismo
Não tenho em mãos os números referentes a outras cidades do mesmo porte, mas acredito que Londrina detenha um dos maiores índices de malucos convivendo normalmente com a população (o que, aliás, não merece críticas: segundo as correntes mais modernas da psiquiatria, isso representa uma evolução no campo terapêutico).
Meu amigo Rubão, por exemplo.
O Rubão é um tipo bem esquisito, de idéias esquisitas. Alto, magro, cabelos compridos e descuidados e uma barbicha esbranquiçada, que lhe confere um certo ar de profeta. Seu passatempo predileto é desenvolver teorias completamente absurdas. Que os especialistas não se ofendam: teorias, no caso, é só uma maneira de dizer. Nada do que ele afirma pode ser comprovado cientificamente.
- Diziam o mesmo do tio Albert - ele rebate, referindo-se, naturalmente, a Einstein.
Rubão já tentou me provar, com um esboço baseado na atividade das abelhas, que o moto-contínuo é possível. E, depois de pesquisa intensa, elaborou um calhamaço - que carrega, amarrotado, dentro da velha bolsa de couro - para ‘‘explicar’’ que a população da Terra não descende do macaco, como sugeriu Darwin, e sim de três grupos despejados aqui por uma civilização de outra galáxia.
Agora o Rubão está empenhado em dar substância a uma tese, digamos assim, alarmista: o fim do capitalismo está próximo!
Após coçar a barbicha e examinar seus papéis espalhados sobre a fórmica da mesa do boteco, meu amigo disparou:
- Só o socialismo pode salvar o capitalismo.
Antes que você comece a rir, gostaria de esclarecer que o Rubão não é um lunático qualquer, desses sem embasamento cultural, que transitam pelas ruas e shoppings e ainda ocupam cargos importantes na sociedade. O Rubão lê demais, é informado. Gosta de História, Filosofia, Economia. Discute de Platão a Heidegger com profundidade. E é o único cara que eu conheço que realmente leu ‘‘O Capital’’ de cabo a rabo.
Mas vamos à tese. Tentarei me aproximar o máximo possível das palavras empregadas pelo autor.
- Os capitalistas, depois do êxtase, deliraram e passaram a acreditar no dinheiro virtual. Já não se negocia com moedas, mas com a ilusão delas. Ou seja, com números no computador.
Não me lembro exatamente como os assuntos se interligavam. Só sei que daí ele passava ao neo-liberalismo e à globalização:
- Isso foi apenas mais um truque dos imperialistas. No início usavam a força de seus exércitos e depois, o poder tecnológico, custeado naturalmente com o ouro roubado de suas colônias.
Tudo bem. Como Rostand, sou um otimista com relação ao futuro do pessimismo. Mas talvez o profeta Rubão esteja exagerando.
Ele disse mais:
- Os Estados Unidos e outros grandes querem assegurar mercados no exterior para compensar o desuso do extrativismo tradicional. Nesta briga de foices no escuro, os emergentes podem submergir de vez. É pouco osso para muito cachorro. E o Brasil é um exemplo. Empurraram o berço do gigante adormecido para a beira do abismo. Sem uma boa dose de socialismo, o caos será inevitável. A única saída são medidas urgentes que aumentem o poder aquisitivo dos excluídos. Em outras palavras: sem reforma agrária, sem investimento no social e distribuição de renda mais justa, nosso mercado logo estará estagnado. Os norte-americanos e os outros sanguessugas internacionais não terão mais para quem vender. Isso sem falar na produção nacional, que também precisa ser absorvida...
Não fosse apenas a teoria de um maluco, confesso que ficaria preocupado.


Salão (1)
Serão abertas segunda-feira as inscrições para o 13º Salão Paranaense de Paisagem de Maringá. A mostra, promovida pela Secretaria de Esportes e Cultura será realizada no Museu de História e Arte Helenton Borba Cortes (anexo ao Teatro Calil Haddad) entre os dias 21 de outubro e 30 de novembro. As quatro melhores obras receberão prêmios no valor de R$ 1 mil. O salão é aberto a qualquer artista radicado no País com idade mínima de 15 anos. As inscrições terminam no dia 15 de setembro. Informações pelo telefone (044) 221-1280.

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