Relatos sobre visões de objetos voadores não identificados e encontros com seres extraterrestres quase sempre despertam o nosso interesse. Conheço muita gente fascinada pelo assunto. Quem nunca se perguntou: ‘‘Será que existe vida de cachorro em outros planetas?’’ Tudo indica que exista mesmo. Mas gostaríamos de ter uma prova. Talvez seja aquela necessidade humana de companhia, ou, a nível macro, o medo ancestral de se sentir isolado no quarto escuro, como aconteceu antes do Big Bang, quando Deus disse: ‘‘Faça-se a luz!’’ Parece meio complicado, eu sei. Mas queremos ter certeza de que ‘‘não estamos sós’’. Como se quase 7 bilhões de pessoas já não fossem um argumento definitivo para liquidar a questão.
De qualquer forma, causaram-me estranheza as duas últimas entrevistas com sujeitos que se encontraram com Ets, publicadas por uma revista norte-americana.
O primeiro, um fazendeiro da Califórnia, Estados Unidos, contou que estava pastando tranquilamente certa manhã (talvez haja algum equívoco na minha tradução), quando percebeu um estranho facho de luz e viu materializar-se bem diante de seu nariz, um homenzinho de pele verde-metálica (é provável que fosse apenas a roupa do visitante) e duas pequenas antenas ‘‘como as de um telefone celular’’ na cabeça. O fazendeiro garante que em nenhum momento ficou tenso.
- Se ele fosse vermelho eu ficaria mais preocupado. Pensaria que os comunistas haviam voltado.
Como já tinha visto vários filmes de ETs, de índios e do Tarzan, o homem imaginou que uma forma primária de comunicação fosse o mais indicado para a ocasião:
- Hau! Mim John. Aqui ser Califórnia - abrindo os braços - Estados Unidos da América, Planeta Terra.
O homenzinho verde olhou em volta, fez um muxoxo (seja lá o que signifique fazer um muxoxo na literatura contemporânea) e resmungou em inglês perfeitamente inteligível:
- Grandes merdas.
Novo facho de luz e o ET desapareceu.
O outro caso ocorreu perto de Melbourne, na Austrália. Uma dona de casa levou o jardineiro até um pequeno bosque, para mostrar o tipo de orquídea que desejava ter em seu jardim (ao menos, foi o que ela disse aos jornais e ao marido). Os dois estavam lá, envolvidos com as plantinhas, quando perceberam o facho de luz atravessando as árvores a cerca de dez metros do local onde se encontravam.
Assustados, esconderam-se atrás de uns arbustos. Ouviram passos. Não se lembram exatamente o que imaginaram que pudesse ser. Viram então que se tratava de um homenzinho de pele verde-metálica e algo semelhante a um pequeno par de chifres na cabeça (reparem como é incrível a coincidência de detalhes). Eles perceberam também que o extraterrestre trazia nas mãos uma espécie de panfleto colorido.
O homenzinho verde caminhou na direção do casal australiano. Já não havia dúvidas: ele sabia que os dois estavam ali. Parecia irritado, segundo o relato. O ET comunicou-se com eles em inglês:
- Planeta Terra?
- Sim, sim - disse a dona de casa, acenando com a cabeça.
- Certeza?
- Absoluta.
Nervoso, o visitante pisoteou o panfleto colorido e desabafou:
- Aqueles filhos da mãe da agência de turismo me enrolaram!
Em seguida, desapareceu no facho de luz.
Aguardo os depoimentos prometidos pela mesma publicação para a edição do próximo mês. Um dos contatos imediatos de terceiro grau despertou especialmente a minha atenção. Teria ocorrido em Brasília.

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