Nelson Capucho
Depois da Copa, depois da overdose de Copa, e principalmente depois da decepção na Copa, espera-se que fique ao menos uma lição: não tenho a menor idéia de qual seja, mas todo mundo diz que é preciso aprender alguma coisa com a derrota. Particularmente, acho que o brasileiro não precisa perder mais nada para aprender alguma coisa. Não vejo relação lógica nesta história. Eu mesmo já estou perdendo até os cabelos e até agora não consegui entender as mulheres e o meu computador. Mas, enfim...
Dizem que depois da Copa da França, o Brasil não será mais o mesmo. O presidente FHC, por exemplo, voltará a ficar à esquerda do presidente FHC. Marco Maciel vai engordar e ACM emagrecerá. Lula talvez apare a barba. Enéas continuará barbudo, só um pouco mais assustador. Collor de Mello será um novo homem. Só o velho PC continuará como estava antes da Copa. Morto.
Ronaldinho terá um pouco de paz, ninguém falsificará remédios, os juros vão baixar, o salário dos professores vai subir, o dinheiro da CPMF, enfim, aparecerá. E, o que é mais incrível, será aplicado onde deveria ter sido desde o início. As fraudes na Previdência se extinguirão num passe de mágica. Antes da Copa, só se ouvia a palavra saúde nas reuniões de cúpula do governo quando alguém espirrava. Agora, não. Será criado o Ministério da Saúde e da Felicidade.
Como dizia Rockefeller, sério: o principal problema das pessoas de baixa renda é a pobreza. Mas isto, depois da Copa, também será resolvido. O Brasil só não será do primeiro mundo porque não quer: aquilo lá é muito chato.
Depois da Copa, ninguém sentirá solidão. Você receberá abraços de amigos inesperados e todos os dias, debaixo da porta da sua casa, haverá uma carta, um panfleto, uma pequena amostra impressa do novo mundo que vêm aí. Além disso, bastará ligar a TV para saber que tem uma porção de gente preocupada com a sua vida. No bom sentido.
Depois da Copa, só os cronistas esportivos vão comentar futebol, nenhum agricultor ficará sem terra, todas as crianças terão escola, ninguém deixará de trabalhar por falta de emprego, todos os árbitros serão honestos e, ao que tudo indica, seu time será campeão.
Afinal, depois da Copa, o Brasil vive clima de eleição!
TOKS.TOKS.TOKS.TOKS.TOKS.TOKS.
Um paulista e um suíço mostram as suas cores. Será aberta hoje, às 20h30, no Espaço Cultural Banestado (Av. Bandeirantes, 500) em Londrina, a exposição Encontro Divertido dos artistas plásticos Caxeta e Shivananda.
MPB sem concessão aos modismos. Ouço o primeiro CD do Madan, lançado pela gravadora Dabliú. Disco reúne parcerias do cantor e compositor paulista com um time de primeira da poesia nacional: Haroldo de Campos, Adélia Prado, Olga Savary, Arnaldo Antunes, José Paulo Paes, Frei Betto, Olga Curado, José Roberto Aguilar e Francisco Albuquerque. Haroldo participa de uma das faixas falando o poema Mundo Livre. Distribuição nacional a cargo do selo Eldorado. Madan lança ainda este ano o seu segundo CD e está agendando shows para Curitiba e Londrina.
Bola pra frente. Extremanente lúcido o artigo Conselhos franceses do Nenem Prancha, do médico londrinense Lincoln Brazil e Silva, publicado na página 2 da edição de terça-feira desta Folha. Foi talvez a melhor leitura do caso Ronaldinho publicada na imprensa. Quem perdeu, pode recorrer à Folha Web na Internet.





