Curitiba - Apesar da distância, existe uma ligação intrínseca entre o grupo gaúcho Oigalê, de Porto Alegre e o Paraná. Tudo começou há quase sete anos, quando o grupo esteve pela primeira vez em Curitiba para apresentar o espetáculo ''Deus e o Diabo na Terra de Miséria'', no Fringe, a mostra paralela do Festival de Teatro da cidade. A apresentação e o resultado do trabalho - o espetáculo foi destacado como um dos melhores naquela edição do FTC pela imprensa nacional -contribuíram para dar identidade ao grupo, que até hoje aposta no folclore gaúcho em suas nas montagens. De lá para cá, a companhia estreou outras três espetáculos e já circulou por quase todo o Brasil carregando na bagagem a identidade cultural dos pampas.
Agora, a Oigalê Cooperativa de Teatro volta a Curitiba para falar do trabalho de pesquisa desenvolvido pela companhia em seus oito anos de fundação. Ontem os atores do grupo ministram um seminário, na Faculdade de Artes do Paraná e hoje apresentam o espetáculo ''Negrinho do Pastoreio'', na Boca Maldita, além de ministrar uma oficina, aberta ao público. ''É muito interessante esse nosso retorno à cidade porque foi aqui que surgiu a idéia de apostar no gênero que escolhemos para o grupo'', conta o diretor da companhia Hamilton Leite. A passagem da Oigalê pelo Paraná faz parte do 3º Corredor Cultural, projeto de circulação dos espetáculos de repertório do grupo que começou em 2000.
O espetáculo ''O Negrinho do Pastoreio'', integra o projeto de pesquisa da Oigalê, intitulado Trilogia Pampiana. O projeto trabalha exclusivamente com o universo gaúcho, dando uma característica contemporânea ao folclore da região. Apesar de ser uma tragédia, o ''Negrinho'' é encenado pelo grupo como uma grande brincadeira. A história é contada por cinco atores, que se revezam na execução dos personagens. O repertório musical - composto exclusivamente para o espetáculo - é executado ao vivo pelo elenco.
Participam do espetáculo, os atores Carlos Alexandre, Fernando Beppler, Giancarlo Carlomagno; Hamilton Leite e Vinícius Petry. Além do ''Negrinho'' fazem parte da trilogia o espetáculo ''Deus e o Diabo na Terra da Miséria'' e ''Uma aventura Farroupilha''.
Mas ''O negrinho'' é o único espetáculo que está sendo apresentado nesta edição dos corredores culturais. O primeiro corredor aconteceu em 2000. Foram 18 apresentações nos Estados de Minas Gerais, Paraná e São Paulo. O segundo, em 2003, contou com 30 apresentações em 60 dias na estrada, nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná. O terceiro, edição atual, começou no último dia 22, no Rio Grande do Sul, passa por várias cidades de Santa Catarina e pelo Paraná. Além de Curitiba, o grupo também se apresentou em Paranaguá (no último dia 28) e segue ainda para Ponta Grossa (no próximo dia 4) e Guarapuava (no dia 5).

SERVIÇO: 3º Corredor Cultural de Teatro de Rua da Oigalê Cooperativa de Teatro. Hoje, às 12 horas, espetáculo e debate na Boca Maldita (Rua VX de Novembro), com entrada franca, e às 15 horas Oficina de Teatro de Rua no Teatro Celeiro (Praça Tiradentes, 106).

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