ReproduçãoVera Fischer e Jorge Perugorría em
‘‘Navalha na Carne’’: ela é glamourosa
demais para interpretar Neusa Sueli Apesar de ter sido um filme muito aguardado pelo público, ‘‘Navalha na Carne’’ é uma grande decepção. Baseado na obra homônima do dramaturgo Plínio Marcos, escrita em 1966, o filme tem a direção de Neville D’Almeida, que fez entre outras coisas ‘‘Os Sete Gatinhos’’ e ‘‘Dama do Lotação’’. Lançado nacionalmente em 95 cinemas, em 21 de novembro, superou ‘‘Guerra de Canudos’’, de Sérgio Resende, que estreou em 75 salas. No entanto,‘‘Navalha na Carne’’ que tinha em Vera Fischer sua grande aposta, ficou pouco tempo em cartaz e não alcançou o retorno esperado. Talvez, nas locadoras a fita tenha uma receptividade melhor.
Neville D’Almeida esperava obter com ‘‘Navalha na Carne’’ o mesmo sucesso de ‘‘Dama do Lotação’’, que foi recordista de público na década de 70, com cerca de 7 milhões de espectadores. Acontece que as coisas mudaram muito nos últimos anos e as pessoas estão mais exigentes. O público não engole mais uma direção de arte capenga, cheia de clichês e respaldada num realismo mágico pretenso e grotesco. Vera Fischer até que tenta retratar com fidelidade o universo de uma prostituta decadente, mas é glamourosa demais para ser Neusa Sueli. O ator cubano Jorge Perugorría, que brilhou no excelente ‘‘Morango e Chocolate’’, em ‘‘Navalha na Carne’’ está afetado e com um sotaque sofrível.
Na verdade, não é fácil transpor para o cinema obras de autores controvertidos como Plínio Marcos, Nelson Rodrigues, entre outros. Até mesmo o competente e experiente diretor alemão Reiner Fassbinder recebeu severas críticas quando levou para a tela ‘‘Querelle’’, de Jean Genet, um dos escritores mais polêmicos da literatura marginal. No entanto, dois motivos valem o preço da locação para assistir ‘‘Navalha na Carne’’: conhecer esta obra de Plínio Marcos, que faz uma metáfora do exercício do poder e da opressão, e ver a sempre deslumbrante Vera Fischer. Duração: 105 minutos (C.M)

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