São Paulo, 10 (AE) - Na década de 50, um náufrago colombiano passou dez dias à deriva numa balsa salva-vidas. O depoimento do marinheiro ao escritor Gabriel García Márquez rendeu o livro "Relato de um Náufrago". E a mesma história serviu como ponto de partida para o espetáculo "Náufrago - A Imagem do Azul", que fez sua estréia em Lisboa, na Expo 98, e entra em temporada a partir de amanhã (11), no Teatro N.Ex.T.
O espetáculo tem texto de Gisela Arantes, que também atua ao lado de Bruno Sciuto, e direção de Maurício Paroni de Castro. Gisela inspirou-se no fato verídico narrado com grande força poética por Márquez para criar a história de um homem que, na iminência da morte, revê sua relação com a vida e as pessoas, saindo transformado da experiência. No palco, naufrágio, resistência e salvação funcionam como metáfora de determinação e vitória do ser humano em qualquer situação na qual precise superar limites para tornar-se melhor.
"A história verídica por si só é rica em metáforas", observa Gisela. Os tubarões que cercam a balsa - muito reais na situação vivida pelo marujo - são também uma metáfora perfeita para os medos e perigos que rondam qualquer homem. "Num dia, sete gaivotas começaram a sobrevoar a cabeça do marujo, sinal de terra firme, que também pode remeter a várias outras formas de salvação", exemplifica a atriz.
A encenação segue a linha de realismo fantástico proposta pelo texto. O cenário sugere um hospital, onde o suposto náufrago estaria sendo cuidado, após seus dez dias de aventura, revividas na lembrança. Na balsa ou no leito, diante da morte, ele relembra sua relação com a mãe, o pai, amigos e sua última namorada, todos interpretados por Sciuto. O marujo é vivido por Gisela que garante não ter caído na facilidade da caricatura, ou seja, ela não tenta passar-se por um homem. "Trata-se de uma atriz representando um marinheiro; um jogo teatral".
Os artistas italianos Gianpaolo K”hler e Laura Trevisan pintaram dois painéis, feitos especialmente para o espetáculo, iluminados pelo também italiano Carmine DAmore. A explicação para a forte participação dos italianos na ficha técnica está no fato de Sciuto ter vivido dez anos na Itália, boa parte deles trabalhando e estudando no Centro di Ricerca per il Teatro (CRT)
em Milão.
Boas fotos do espetáculo e muitas outras informações podem ser obtidas pela Internet no endereço http://www.uol.com.br/naufrago, que permite a participação do visitante. Na janela Histórias do Mar é possível ler depoimentos de pessoas que viveram experiências ligadas ao mar e também enviar uma história pessoal. Outra janela, igualmente aberta à participação, recolhe e divulga depoimentos sobre o papel do artista no 3.º milênio. Serviço - "Náufrago - A Imagem do Azul". Tragicomédia. De Gisela Arantes. Direção de Maurício Paroni de Castro. De terça a quinta, às 21h30. R$ 15,00. N.Ex.T. Rua Rego Freitas, 454, tel. 259-2485. Até 10/2.

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