Natureza rica e lazer de sobra
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quarta-feira, 25 de abril de 2001
Ricardo Barretto Agência Estado 
A região da Cidade do Cabo, no sul da África do Sul, abriga paisagens que vão de montanhas exóticas a mares cristalinos e ainda atrações típicas dos centros urbanos
A Cidade do Cabo pode ser considerada uma verdadeira relíquia do turismo. A região possui belas e variadas riquezas naturais, além de atrações históricas, culturais e mesmo de consumo. No centro da cidade, os visitantes têm a oportunidade de compreender melhor a atual sociedade sul-africana.
Assim como em 1488, quando a região do extremo sul da África foi oficialmente descoberta pelos navegantes portugueses, a visão que captura de imediato a atenção de quem chega à Cidade do Cabo é a Table Mountain. A gigantesca montanha em forma de tabuleiro é considerada uma das principais atrações do lugar, ocupando toda a parte central da região. É vista de qualquer ponto da cidade, com seu topo coberto de nuvens.
Mas se a visão de fora é imponente, a sensação de estar em cima da montanha surpreende ainda mais. O ar leve e fresco parece que acompanha a tranquilidade da vista, a 1.086 metros de altura. A montanha guarda algumas surpresas, como os dassies um roedor que parece um porquinho-da-Índia gigante e que só existe na montanha e as nuvens que aparecem de repente e fazem as pessoas desaparecerem em meio à neblina molhada.
Existem duas maneiras de subir ao topo: pelo teleférico panorâmico, cujo chão roda durante o deslocamento, ou seguindo uma das 100 trilhas que percorrem a montanha. No passeio a pé, é possível encontrar avestruzes e zebras de listra marrom, que habitam o entorno.
Mas se os navegantes de 500 anos atrás consideravam a visão da montanha um bom sinal, outro atrativo da Cidade do Cabo, o encontro das águas dos oceanos Atlântico e Índico, não era encarado da mesma maneira. As geladas águas atlânticas, em contato com as correntes quentes do Índico, provocam violenta agitação do mar. Daí o nome Cabo das Tormentas, local onde grande número de barcos afundava.
Logo após o Cabo das Tormentas surge o Cabo da Boa Esperança, que foi batizado assim porque era o primeiro ponto de onde os navegantes podiam ver o início da costa oriental da África, rumo às Índias. É só depois do Cabo da Boa Esperança que começa oficialmente o Oceano Índico.
De qualquer maneira, o encontro dos oceanos é quase uma atração virtual, pois não é possível destinguir as águas. Quem vai ao Cabo da Boa Esperança, é contemplado com uma paisagem belíssima, onde formações rochosas brotam de um mar transparente e cristalino. O local, que é uma reserva ambiental, abriga formações vegetais endógenas (só existem ali), além de animais como antílopes, tartarugas, avestruzes e os babuínos. Os turistas são aconselhados a tomar cuidado com esta espécie de macaco que faz qualquer coisa por comida, incluindo roubar lanches, entrar nos carros e até abrir bolsas.
A estrada que liga a cidade ao cabo também é recheada de belezas naturais. O caminho acompanha a orla das inúmeras bacias que formam o litoral e ainda atravessa o relevo montanhoso que fica entre a cidade e Simons Town, um subúrbio da região.
Durante o trajeto, é possível parar em restaurantes com vista para o mar, ou até arriscar um mergulho em alguma das praias. Isto é, se a temperatura de 7º C da água no verão não for um problema. Vale lembrar que os surfistas entram no mar vestindo roupas de neoprene com 3mm de espessura.
Ainda na orla da Cidade do Cabo, vale dar uma parada na Praia de Boulders. O lugar foi refúgio sazonal de pinguins por décadas, até que, em meados dos anos 90, as aves resolveram não mais voltar para a Antártida e desde então fizeram sua morada ali. Quem não gostou muito foram os habitantes do bairro, um dos mais chiques de Cidade do Cabo, que reclamam do barulho que os pinguins fazem à noite, muito parecido com o relincho de um jumento. Mas para os turistas a atração é imperdível. Os pinguins estão por toda a parte e fazem poses ótimas para boas fotos.


