Natureza é o grande destaque da região
Em São José dos Ausentes, um trekking pelos afluentes do Rio das Antas proporciona belas paisagens que deslumbram até os menos ligados em ecoturismo. A caminhada é garantia de pé encharcado durante todo o percurso, mas completar o roteiro e conhecer as seis cachoeiras vale o sacrifício.
O espetáculo começa antes mesmo de chegar a São José dos Ausentes. A estrada de terra que liga a cidade a Cambará do Sul mostra as particularidades do relevo e do solo da região. O horizonte se perde em meio às coxilhas e a vegetação de canilha um tipo de capim. O solo da região é rochoso e dificulta a cultura de alimentos. Por isso, o forte da economia é a pecuária extensiva. É comum ver o gado solto pastando pelos campos.
A floresta de araucárias também marca presença, mas não com tanta intensidade como era de se esperar, por causa do desmatamento, intenso durante muitos anos. Atualmente, o reflorestamento está sendo feito por indústrias de celulose por meio de árvores exóticas (entende-se por exótica a árvore que não é originária da região, no caso, um tipo de pinus). A grande quantidade desses pinus remete, por um instante, a alguma paisagem interiorana da América do Norte ou Europa.
As coxilhas são pontilhadas de pedras e às vezes aparecem empilhadas em longas fileiras e formam ''taipas'' (muros de pedras) que, de acordo com os moradores, dividiam as propriedades. São José dos Ausentes é considerada a cidade mais fria do Rio Grande do Sul. Ela fica a 1.200 metros acima do nível do mar e a neve costuma aparecer no inverno.
Um condutor desvenda os caminhos para as cachoeiras. O trekking começa no Vale das Trutas, um pesqueiro pesque-pague. Alguns passos e surge o primeiro arroio da caminhada. Molhar os pés é inevitável água e arbustos dificultando o caminho são uma constante no percurso.
A Cascata do Musgo não chama tanta atenção. O que mais impressiona são os xaxins que crescem no local boa oportunidade para quem não conhece a planta e pensa que xaxim é o nome de um tipo de vaso. A trilha se fecha em alguns momentos, mas não coloca dificuldade. Logo em seguida, ela se aclara e os arbustos são substituídos por vegetação rasteira.
A Cascata Saracura exige cuidado. Larga e pouco íngreme, ela tem de ser escalada através da água. Um escorregão pode resultar em algum ferimento. Por isso, recomenda-se pisar nas pedras por onde a água escorre, local com menos lodo e, portanto, menor risco de escorregar. Sob o sol, o reflexo da luz sobre as rochas molhadas causa um efeito interessante.
A próxima queda d'água é a Curruíra, mais alta e íngreme do que as duas primeiras. No riacho, que segue após a cascata, pedras permitem passar de uma margem a outra sem se molhar. É o momento do descanso. Mesmo com a fome apertando, deixe para fazer o lanche mais adiante. (M.T./AE)





