Natureza e ecologia em família
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de março de 2003
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Miranda - O turismo no Pantanal mudou. Antes dominado por pescadores de plantão, hobby normalmente apreciado pelo público masculino, o Pantanal maior área úmida do planeta, com 200 mil quilômetros quadrados aparece agora como alternativa para passeios em família, numa linha mais ecológica.
O Refúgio Ecológico Caiman, criado há 15 anos pelo empresário Roberto Klabin, é um dos exemplos dessa mudança. O empresário decidiu aproveitar parte da sua fazenda de pecuária 53 mil hectares a 236 quilômetros de Campo Grande para desenvolver o turismo ecológico na região. O local é bastante procurado por estrangeiros, mas os brasileiros estão quase virando o jogo. O cenário inicial, de 80% de estrangeiros, mudou para 70% de brasileiros.
O que começou com a casa-sede da fazenda expandiu-se para quatro pousadas na Caiman: Sede, Baiazinha, Cordilheira e Piúva, com capacidade para cerca de 70 hóspedes. E o empresário fala em ampliação, planejando aumentar o número de quartos.
A aposta no crescimento está alicerçada nas atrações naturais. O Pantanal tem mais de 650 espécies de pássaros. Na lista estão incluídos carcarás, tuiuius, curicacas e as famosas araras-azuis. As aves, aliás, são a atração principal durante o período da cheia (de novembro a março). Elas se alimentam de peixes que se acumulam nas baías, formadas no meio do cerrado e pastos. Quem prefere fazer safári fotográfico entre os mamíferos pode visitar o Mato Grosso do Sul na estação da seca, de abril a setembro, quando podem ser vistos mais facilmente capivaras, veados, tamanduás-bandeira e lobinhos. Já na vazante, período entre a seca e a cheia, pode se ver um pouco de tudo.
Mas para quem está pensando que a vida na fazenda é fácil, um aviso: o turista que pretende levar na bagagem boas fotos das plantas e animais vai precisar de fôlego para as caminhadas e safáris fotográficos. Os passeios maiores, porém, são no caminhão, conhecido como ''zebrão''. A equipe de guias (chamados caimaners) garante também passeios de canoa, bicicleta e a cavalo. O visitante pode ainda conhecer de perto o dia-a-dia da fazenda pantaneira, acompanhando os peões no remanejamento do rebanho dentro da fazenda. Na pausa para o descanso, o costume é tomar o tereré uma espécie de chimarrão gelado, tomado em uma cuia que é, na verdade, um chifre de boi.
Um dos programas mais característicos na Caiman é a alimentação dos jacarés o nome Caiman, aliás, é o nome científico do jacaré pantaneiro. O turista pode chegar bem perto dos répteis e vê-los engolir pedaços de carne inteiros. Mas não há motivo para pânico. É carne de gado, cedida pela equipe da fazenda.
O importante é levar bastante repelente de insetos e protetor solar. E muito filme fotográfico. A peculiaridade do Pantanal, que tem no Rio Paraguai seu ''coração'', impressionou até mesmo o autor de ''Grande Sertão: Veredas'', o escritor mineiro João Guimarães Rosa. Ele visitou a região na década de 50 e do passeio tirou inspiração para escrever a reportagem poética ''O Vaqueiro Mariano''. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também gostou. Ele passou o Natal de 2001 com a família no Refúgio Caiman. Mas não são só os visitantes que se deixam seduzir.
O peão ''Macarrão'' que eventualmente atende pelo nome de Edson Aquino diz que gosta ''de tudo'' da vida de peão que leva na Caiman. Tem apenas 23 anos, gosta de viajar em comitiva, quando os peões levam o gado de um lugar a outro. ''Só fica ruim quando chove demais'', revela.
* A jornalista viajou a convite do Refúgio Ecológico Caiman e das Linhas Aéreas Gol
Serviço
O Refúgio Ecológico Caiman oferece pacotes para a Páscoa, entre os dias 18 e 21 de abril. O pacote custa R$ 825,00 por pessoa em apartamento duplo. O valor inclui hospedagem com três refeições diárias e o acompanhamento dos guias nos passeios. Porém, até o dia 31 de março, a diária por pessoa em apartamento duplo é de R$ 220,00 (com três refeições incluídas). Mais informações: (11) 3079-6622 ou no site www.caiman.com.br


