Acredita-se que a natureza também tenha contribuído para o espantoso grau de desenvolvimento dos maias na Península de Yucatán. Apesar de ser uma planície sem rios, o solo de pedra da região favorece a infiltração das chuvas, o que formou com o passar dos séculos correntes subterrâneas de água de metros e metros de profundidade. Nos pontos onde esses lençóis afloram surgem as cenotes, piscinas naturais de água doce. Só no Estado de Yucantán, o governo listou 680 deles.
A serventia dessas fontes de água para o povo maia foi essencial pois eram elas que o abasteciam. Atualmente, as cenotes são tidas como principal riqueza natural yucateca. E viraram atração turística. Mas isso não quer dizer que, em todos esses poços, sejam permitidos banhistas, como sugere a tradução ''piscina natural''.
Sem falar que existem variedades diferentes, de acordo com a formação das cenotes. Aquelas abertas se parecem com um lago ou olho d'água. Já as semi-abertas têm uma espécie de abóboda que as cobre. O efeito dos feixes de luz solar, os cipós pendurados e a invasão da mata nesses arcos rochosos, a cor da água límpida difícil de definir entre azul, turquesa ou verde. Interessante seria uma palavra bem modesta, por isso, o mais indicado mesmo é cada um atestar com os próprios olhos para chegar a uma conclusão.
O programa é ainda mais válido se a cenote escolhida estiver dentre as mais populares da região. Valladolid, outra charmosa cidade colonial a 160 quilômetros de Mérida, possui uma das mais belas da vizinhança, a Cenote Zací. Está na lista das apropriadas para nadar, portanto, aproveite. Apenas contemplá-la já vale a viagem. Procure pelo seu morador mais estranho, uma rara espécie de peixe negro e sem olhos cujo nome é fácil de decorar: lub.
Ainda falta motivo para ir até a Zací? Que tal um outro banho, agora de gastronomia regional? O restaurante sediado ali serve pratos fartos e tem vista para a cenote. Experimente o brazo de reina, que leva ovo, um tipo de massa, molho de tomate e sementes moídas, tudo enrolado em folha de bananeira. Ou opte por clássicos mexicanos como panuchos (tortilhas recheadas com feijão, carne de porco, cebola e tomate) e salbutes (tortilhas de milho fritas, acompanhadas de carne de frango, tomate e cebola). Sempre com um adicional básico no México: muito chile (pimenta), convém avisar.

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