Nathan Williams impulsiona a brisa da 'Surf Music'
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sábado, 31 de julho de 2010
Roberto Nascimento<BR> Agência Estado 
Guitarras em fúria, odes ao niilismo, neblina de ''ganja''. Não é bem o que os bons garotos do Beach Boys imaginavam para o legado do rock sorridente e boa praça que produziram no início dos anos 60, mas é um fiel retrato de King of the Beach, o incensado segundo álbum do Wavves, que tem feito a cabeça de moderninhos no verão americano deste ano, com uma reciclagem eletrizante do som de Brian Wilson e companhia.
King of the Beach é rock praiano com harmonias vocais e levadas que vão do frenético ao preguiçoso, tocadas através de um amplificador danificado que cospe a efervescência adolescente de Nirvana e Green Day. O nome do enfant terrible é Nathan Williams, bicho grilo californiano de carteirinha, daqueles que zombam de saradões e estão mais interessados em fumar um baseado do que pegar ondas e sorrir para as gatinhas.
A leseira em nada compromete a vitalidade de seu talento. Em 2009 gravou sozinho, no quarto dos fundos da casa de seus pais, em San Diego, o homônimo Wavves, feito apenas com um software para músicos amadores. A produção escrachada do disco lembrou os tempos pré-digitais do grunge e chamou a atenção da mídia independente. Quando virou hit, destoou da estética arrumada de bandas que fazem sucesso no circuito cult e tornou-se parte de um questionamento sobre a integridade de uma vertente do rock (Franz Ferdinand, Arcade Fire, Spoon) que foi, por muito tempo, periférica, mas hoje lota estádios e faz trilhas sonoras de comerciais de computadores e carros importados.
Para King of the Beach, que pode ser ouvido no site www.myspace.com/wavves, Williams deu um trato em seu som. Chamou a banda do falecido roqueiro Jay Reatard e entregou a produção a Dennis Herring, que já trabalhou com Elvis Costello e Counting Crows. Herring tem a mão leve e, sabiamente, não esfregou o cascão sonoro que dá personalidade ao Wavves. Também deixou que aflorasse a influência de Phil Spector, o famoso produtor que revolucionou a indústria musical nos anos 60 com batidas características e sobreposição de instrumentos.


