Natal deixa tudo mais bonito
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domingo, 15 de dezembro de 2002
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pode ser uma decoração singela, um pequeno enfeite na estante ou uma árvore gigantesca colocada no meio da sala. Pode ser um pano de prato comprado na feira, uma grande vela acesa ou uma bela guirlanda instalada na porta de entrada. Não importa o objeto, mas nesta época do ano é difícil encontrar uma casa que não tenha sequer uma lembrança natalina. Nas ruas, é impossível caminhar sem ter o olhar direcionado para uma decoração mais suntuosa. Em Curitiba, há opções para todos os gostos, desde lares discretos, casas que tradicionalmente abrem as suas portas enfeitadas para visitas até espetáculos natalinos ao ar livre.
Quando o assunto é decoração de Natal, a psicóloga Anaídes Pimentel Orth cuida de todos os detalhes e chegou a construir um compartimento a mais em casa para guardar tantos enfeites. ''Começamos a dar mais atenção para a decoração depois que as crianças nasceram'', conta Anaídes, que tem três filhos, de 16, 14 e nove anos. Ela acredita que o Natal é uma época para se concretizar o espírito de solidariedade das famílias, das pessoas em geral. Por isso, realizar em conjunto a decoração temática se revela como uma forma de lazer. ''Cada Natal nós compramos uma coisa a mais'', diz.
No apartamento de Anaídes, objetos aparentemente insignificantes ganham cores novas. Desde sabonetes com motivos natalinos a bibelôs confeccionados pela própria família. Na casa dela, os dias que antecedem o Natal são motivo para o encontro de amigos de infância e da faculdade. Na véspera, parentes fazem a ceia e cada um leva um prato diferente para montar a mesa. ''Acho que Natal é época de partilhar'', diz a psicóloga.
Quanto aos presentes que de lembranças passaram a ser uma espécie de símbolo do capitalismo na comemoração do nascimento de Cristo , Anaídes argumenta que o presente é uma simbologia do sentimento de carinho em relação às pessoas. ''Não tem como fugir disso'', diz. A filha dela, Ana Flávia, de 14 anos, dispara que assim como os presentes são símbolos, Papai Noel também é. ''A gente nunca deixa de acreditar.''
Já o poeta, escritor e jornalista Zeca Corrêa Leite, trocou presentes por poemas. Ele tem enviado para os amigos, pela internet, poemas com temas natalinos. Os internautas podem utilizá-los em cartões pessoais, desde que coloquem o crédito. ''Comecei a enviar poesias pela internet com a única finalidade de dar minha contribuição a um movimento de amorosidade ao mundo que acredito existir, na contramão na violência.''
O jornalista iniciou o costume há vários anos, enviando, em vez de cartões, poemas natalinos. Agora usa a internet para difundir a prática. ''Falar do Natal e falar da alma é transitar pelo impoderável, é trabalhar com elementos sublimes e eu gosto disso. Faz um bem danado'', conta.
A psicóloga Ireniza Canaverros de Arruda, graduada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em Psicanálise Freudiana e pós-graduada pelo Instituto de Psiquiatria, Psicanálise da Infância e Adolescência em São Paulo, tem uma explicação para o espírito natalino que invade as pessoas. ''O Natal dá a possibilidade de nascimentos e renascimentos. Há a esperança, a fé, uma vontade de mostrarmos o nosso lado mais positivo, desejarmos coisa boas aos amigos, familiares, funcionários, vizinhos. É uma experiência fascinante para o ser humano adulto ou criança em nível consciente como inconsciente'', explica.
Ela lembra que a data era, inicialmente, um ritual pagão que celebrava o renascimento do sol e da natureza, muito antes que a idéia do nascimento de Cristo se relacionasse à celebração. Assim, as fogueiras armadas nos topos das montanhas no solstício do inverno para estimularem o sol a permanecer mais tempo no céu, depois de séculos reapareceram como luzes nas árvores de Natal. ''Tais celebrações são muito importantes para serem abandonadas, porque servem a necessidades profundas e inconscientes.''
Quem prefere não decorar a casa e não pode celebrar o Natal em família, há boas opções de comemorações em Curitiba. Além das tradicionais casas enfeitadas há também o coral das crianças, no Palácio Avenida e o Natal de Luz, na Praça Tiradentes, em frente à Catedral. Desde a última quarta-feira, quem quiser conhecer as principais decorações da cidade pode utilizar os ônibus da Linha Natal. Os carros saem a partir das 19 horas do Shopping Estação (Avenida Sete de Setembro), onde há uma exposição de presépios, e passam por cinco pontos com decoração natalina nos centros e nos bairros. O passeio custa R$ 1,50.
Para quem quer aproveitar o passeio para comprar presentes de Natal, há vários pontos em Curitiba com barracas de artesanato dispostas ao ar livre com os mais variados objetos e preços para todos os gostos e bolsos. Na Praça Tiradentes, são 31 barracas funcionando todos os dias até o dia 23 de dezembro. Na Praça Osório, são 57 barracas que também ficam abertas até o próximo dia 23. No Solar do Barão, no Largo da Ordem, a diferença é que a feira é regada a a apresentações artísticas de alunos do Conservatório de MPB e artistas circenses. A feira termina hoje e acontece das 9 às 18 horas.


