Natal como não existe mais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Luiz Claudio Oliveira Curitiba 
Orlando Azevedo/DivulgaçãoVilma Slomp: enfeites de
Natal feitos artesanalmente são tema
de fotografias que compõem o livroA fotógrafa curitibana Vilma Slomp irá lançar o livro Feliz Natal, da Fotográfica Comunicação e Editora, no Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires, no dia 17 de dezembro. O lançamento será também a abertura da exposição de fotografia com a pesquisa que Vilma fez dos enfeites de Natal em Curitiba.
Antes que os papais noéis viessem de Taiwan e fossem feitos de plásticos em formatos horrendos, as donas de casa esmeravam-se na criação de enfeites natalinos. Principalmente as descentes de alemães, poloneses, ucranianos e italianos. Guirlandas, cometas e papais noéis eram feitos com carinho e criatividade e colocados nas portas e fachadas das casas dos bairros curitibanos. Esta etapa de Curitiba foi registrada pela fotógrafa Vilma Slomp.
Para montar as 75 fotos do livro e as 40 da exposição, ela percorreu os bairros da cidade durante dez natais. O livro, com ótima qualidade gráfica, foi lançado no ano passado, em Curitiba e tem uma pesquisa histórica feita pela jornalista Maí Nascimento, com versões em inglês, francês e espanhol.
A fotógrafa começou este trabalho sem notar no que ele poderia dar. Morava no Bom Retiro e saía com a câmera fotográfica registrando em imagens preto-e-branco alguns enfeites que via por acaso. Depois, notou que este tipo de trabalho era mais próprio para fotos em cor. Alguns anos depois tomou conhecimento da pesquisa de Maí Nascimento sobre o assunto e decidiu então, já no quinto natal, partir para um enfoque totalmente profissional.
Eu notava que as vias rápidas e as ruas expressas exclusivas para ônibus iam valorizando determinadas regiões e acabando com as casas, que davam lugar a prédios. Ao mesmo tempo, em 1990, com o governo Collor, abriu-se o mercado para a importação de enfeites de plástico e luzinhas coloridas e com isso os bairros foram perdendo o costume de fazer seus próprios enfeites, conta Vilma.
Ela lembra que as donas de casa reuniam as crianças e com eles criavam o enfeite de natal. Era uma hora em que a família se reunia e vivia aquele momento. Recentemente, ela voltou a alguns bairros tentando achar as mesmas casas que tinha fotografado. Encontrei apenas duas casas que mantêm os enfeites como no livro, revela. Buenos Aires vai ver uma Curitiba que não existe mais.


