Muito sangue indígena, espanhol e francês foi derramado durante a divisão da Ilha Hispaniola entre República Dominicana e Haiti. Poucos anos após o descobrimento foram suficientes para que os tainos (índios que habitavam a ilha) sumissem do mapa. Bartolomeu Colombo, irmão do descobridor, ficou na ilha e construiu as primeiras habitações no povoado de Santo Domingo, que seria posteriormente elevada a capital. Nesse período, Hispaniola teve dois governadores espanhóis, que se caracterizaram por introduzir o trabalho escravo indígena nas minas e nas primeiras plantações de cana-de-açúcar. O filho primogênito de Cristóvão Colombo, chamado Diego, foi nomeado governador da ilha em 1509, três anos depois da morte do pai.
Diego Colombo estabeleceu morada em Santo Domingo, com esposa e filhos, na casa conhecida como Alcazar Colón. O casarão de pedra onde ele morou ainda está de pé, com muitas peças da mobília original, como camas, bancos e tapeçaria. Uma armadura típica da era medieval dá as boas-vindas aos visitantes no salão de entrada. Também existe lá uma armadura para cavalos, salas de guarda, de música e cozinha provida de apetrechos de época.
Construído em 1511, nas margens do Rio Ozama, que atravessa Santo Domingo, o casarão é parte obrigatória do roteiro de visitas turísticas na zona colonial da cidade. Toda a costa lotorânea de Santo Domingo era protegida por muralhas. Hoje, várias partes ainda estão preservadas, merecendo destaque a Fortaleza Ozama, construída em 1505, a poucos metros do Alcazar Colón.
As ruas de Santo Domingo têm nomes pitorescos, com destaque para a Calle de Las Damas. Diz a tradição dominicana que a esposa de Diego Colombo, Maria de Toledo, era uma alcoviteira. Enquanto o marido cuidava da administração local, o divertimento preferido dela era sair às tardes com suas 30 damas de companhia. O motivo? Arranjar casamento para as moçoilas e abocanhar parte do dote das damas casadoiras.
A Calle de Las Damas é uma das ruas principais de Santo Domingo e é onde está o Museu de Las Casas Reales, que abriga documentos, objetos da vida colonial dos séculos 16 a 19. A melhor atração do museu é o próprio prédio, imponente e sólido, com suas salas de audiência e de justiça, de onde a Espanha controlava as ações de todo o Novo Mundo. Lá dentro, uma surpresa: um escudo real, único no mundo, que pertenceu à rainha espanhola Joana, a Louca de Espanha, única filha dos Reis Católicos.
Aspectos históricos de grande relevância para a história da América estão reunidos em Santo Domingo. Sem dúvida, o destaque fica por conta da primeira catedral das Américas, construída entre 1523 e 1543, situada bem no centro da zona colonial. Na praça em frente à igreja, em estilo medieval, fica um pedestal com uma escultura em tamanho real de Colombo, apontando o Novo Mundo.
Os turistas devem atentar para alguns detalhes durante os passeios. Não apenas na igreja, mas também em outros prédios históricos, as mulheres e homens devem estar vestidos com recato. Nada de shorts, vestidos curtos ou camisetas cavadas. Quem não se preveniu antes de sair dos hotéis não fica sem entrar nos prédios se alugar cangas, véus ou camisas de vendedores instalados estrategicamente nesses locais.
A Universidade de São Domingos, criada pelo Papa Paulo III, em 1538, também é a mais antiga das Américas. Persiste ainda as ruínas das primeiras instalações, que levava o nome de Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino e era administrada pela Ordem dos Dominicanos, formando estudantes leigos e futuros sacerdotes. O nome República Dominicana deve-se, portanto, aos padres desta ordem.

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