Nasa já discute turismo espacial
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domingo, 12 de abril de 1998
Ednelson Alves 
ReproduçãoViajar pelo espaço ainda é um sonho impossível para os turistas. Mas não será por muito tempo, pois até os engenheiros da NASA - Agência Espacial dos Estados Unidos começaram a discutir o futurístico projeto. Um estudo conjunto da NASA e da Associação de Transporte Espacial afirma que a esse tipo de aventura poderá ocorrer dentro de alguns anos, mas por um preço bastante alto. Uma pesquisa feita pelos dois órgãos confirma o interesse de milhares de pessoas em voar pelo espaço, sensação que só os astronautas em missões oficiais já puderam sentir.
Não há unanimidade, porém, entre o corpo técnico da NASA sobre esse assunto. Os engenheiros colocam o custo como a principal barreira e acham que só os ricos passariam a ter esse privilégio, o que não seria justo porque toda pesquisa espacial é paga com dinheiro público. O governo americano gasta ao redor de US$ 400 milhões com cada missão espacial. Para tornar comercialmente viável o custo dessa viagem deveria cair para US$ 2 milhões, e ainda assim o custo do bilhete sairia por cerca de US$ 50 mil. Mesmo assim o estudo revela que 500 mil pessoas estariam interessadas em embarcar nessa volta pelo espaço. Mesmo com essas dificuldades, o estudo recomenda a criação do turismo espacial e ainda sugere a criação de parques temáticos espaciais.
O negócio parece ser tão atrativo, financeiramente, que empresas americanas estão correndo atrás de recursos para construir seus próprios foguetes. Neste caso, não seria um projeto tão sofisticado e tão cara quanto os da NASA, mas uma aeronave que pudesse voar a uma altitude suficiente para que os passageiros pudessem ver a curvatura da terra. A Advent Launch Services, de Houston, no Texas, é uma das empresas que planejam construir um foguete alternativo. Seu grande aliado nesse projeto é o experiente engenheiro Jim Akkerman, que ainda trabalha na base Johnson Space Center, mas que usa todo seu tempo livre para tornar comercialmente possível a aventura espacial.
A viagem espacial desperta tanto interesse entre os americanos que já há uma associação que congrega os passageiros interessados em participar dos primeiros vôos.
Toney Hermes, 21 anos, do Texas, já deu a entrada de US$ 3.500,00 para garantir sua viagem no primeiro vôo. O seu dinheiro, como de outros membros do grupo, ajudam a financiar o projeto de construção do foguete. A Zegrahn Space Voyages, de Seattle (Washington) já está aceitando reservas, ao preço de US$ 98 mil, para a sua viagem inaugural marcada para o dia 1º de dezembro de 2001. A Zegrahn ainda não tem a aeronave, mas garante aos muitos interessados que não haverá nenhum atraso na data de embarque.
Comprovando o grande interesse dos americanos pelo espaço, a rede de TV HBO investiu US$ 65 milhões na produção da minissérie From the Earth to the Moon, que conta parte da trajetória da investida espacial dos Estados Unidos, a partir de 1961, quando o então presidente John Kenneddy declarou que até o final daquela década a NASA colocaria um homem na Lua. A estréia aconteceu às 20 horas do domingo, 5 de abril, dirigida e também com participação de Tom Hanks.
O ator, de 41 anos, se declara um apaixonado pelas viagens espaciais e disse que gostaria muito de ocupar um dos sete bancos disponíveis nas aeronaves de missão oficial da NASA.
A minissérie é baseada no livro A Man on the Moon, de Andrew Claikin, tem 12 horas de duração e tem sido bastante elogiada, principalmente pela riqueza de detalhes e também pelo enfoque científico. Ou seja, é um trabalho que revela o que ocorre nos bastidores de cada viagem espacial, a tensão, as negociações e os interesses políticos que estavam por trás de cada missão, principalmente durante os anos da guerra fria, quando Rússia e Estados Unidos disputavam a soberania espacial.


