NAS TRILHAS POLACAS
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
O jornalista Ulisses Iarochinski é um apaixonado pela sua ancestralidade. Tanto assim que há anos vem estudando a história dos polacos, abriu uma página sobre o assunto na Internet (são mais de 50 acessos diários) e direcionou o conhecimento adquirido no livro Saga dos Polacos, que será lançado hoje, às 19h30, no Instituto de Cultura Polônica, em Curitiba.
O volume de 150 páginas faz um apanhado histórico-cultural de uma nação que, através de séculos de perseguição e sofrimento, acabou incorporando um estigma visível somente pelos detalhes dos gestos. O desconforto com a palavra polaco é sintomático, como se a palavra fosse pejorativa. Aceitável é polonês, termo encontrado somente no Brasil. Em outros países, para onde as famílias emigraram, polaco é polaco.
Melhor do que ninguém Iarochinski sabe dessa repulsa. Críticos irados o chamaram de preconceituoso pelo uso que fez da palavra. Eu falo o termo correto. Polonês é invenção dos doutos brasileiros do início do século, defende-se. Cioso e orgulhoso de sua raça, o jornalista afirma que muita gente no Paraná se imagina alemã, mas carrega o sangue polaco nas veias. Os sobrenomes alteraram-se com o tempo, porém a genealogia dirige-se para raízes da Polônia. Aliás, um país extremamente culto, conforme o jornalista. Dali saíram sete prêmios Nobel, ufana-se.
Saga dos Polacos traz a história escabrosa do surgimento da cidade de Cruz Machado, cantada em prosa e verso por Helena Kolody. O livro relata a chegada ao Rio de Janeiro de 5.500 famílias que haviam deixado as províncias de Chelm, Siedlce e Lublin, 27 dias antes. Na viagem de navio dezenas morreram vitimados pela falta de comida e insalubridade. As autoridades mandaram os imigrantes para uma quarentena na Ilha das Flores, mas devido ao número elevado de pessoas, dez dias depois eles estavam seguindo em grupos para Ponta Grossa, numa penosa viagem de trem.
Uma parte ficou na cidade, outra foi para Castro e o restante dirigiu-se para Marechal Mallet, ponto final da linha. Atraídos pelas promessas de vida nova em Cruz Machado, que os agentes de imigração pintavam de todas as cores, embrenharam-se pelos caminhos, atravessaram rios levando toda a sorte de tralhas nas costas caminharam quilômetros durante dias até chegar ao local e viram que ali só tinha mata cerrada. Ficaram ao relento, e em menos de um ano, mais de mil pessoas morreram de febre tifóide.
Esperança, persistência e desespero estiveram lado a lado nesses idos, abrindo-se para novos tempos de luz. Saga dos Polacos faz esse apanhado, incluindo em suas páginas a música, dança, árvores genealógicas, culinária e tradições, como a Páscoa, que foi introduzida no Brasil pelos polacos. Detalhista, o autor encerra o volume com dezenas de endereços eletrônicos para quem quiser se aprofundar no universo polaco, ou saber a origem da família.
Saga dos Polacos, de Ulisses Iarochinski. Lançamento hoje, às 19h30, no Centro de Cultura Polônica, Rua Carlos de Carvalho, 369, Curitiba.





