Nas trilhas do cinema
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domingo, 24 de janeiro de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Um bom filme não precisa, obrigatoriamente, de uma boa trilha sonora para fazer sucesso. Mas, sem dúvidas, uma boa música é capaz de transformar um filme, além de dar aquele toque especial e essencial a determinadas cenas. Basta pensar em Scarlett O'Hara, em "E o vento levou", a cena do chuveiro, em "Psicose", Al Pacino dançando um tango em "Perfume de Mulher", ou Rocky Balboa chegando ao topo de uma escadaria, que a respectiva trilha já vem à mente.
No cinema nacional, mais recentemente, "Tropa de Elite" e "Lisbela e o Prisioneiro" tiveram músicas de destaque, mas nenhuma delas ("Tropa de Elite", do Tihuana, e "Você Não Me Ensinou a Te Esquecer", na versão de Caetano Veloso) foi criada especialmente para o filme.
A boa notícia é que cada vez mais compositores brasileiros vêm se destacando na composição de músicas exclusivas para filmes e séries, e o espaço para trilhas originais vem crescendo.
Um dos profissionais que vem se destacando na área é o londrinense Otávio Santos, autor entre outros da trilha do premiado "Boi Neon", de Gabriel Mascaro, que segue em cartaz em Londrina. "Ainda há um caminho longo pela frente em comparação ao mercado norte-americano. Mas muitos diretores estão se atentando para a importância e já incluem a trilha no planejamento inicial do filme", diz ele, que depois de se graduar na Universidade Estadual de Londrina, foi especializar-se em trilhas sonoras na renomada UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles).
Santos já produziu trilha para o longa independente "Biology 101", do diretor norte-americano Christopher Smith, os curtas-metragens "O Castelo" e "O Nadador", do londrinense Rodrigo Grota, e o documentário "Irmãos Grael". Atualmente, trabalha na produção de outro longa independente, "We three".
O maior problema, contudo, ainda é a falta de orçamento previsto no início do projeto - mas que vem sendo driblado com muita criatividade. "Existem muitos filmes bons, bonitos e que não preveem esse custo. Daí acontece, por exemplo, de não haver dinheiro para contratação de todos os músicos. O jeito é mesclar com sons de computador."
Isso, no entanto, não diminui o mérito ou esforço do compositor, que produz arranjos focados no que as cenas precisam. "Sou o primeiro a assistir ao filme depois da edição. O diretor vai me apontando em quais cenas quer uma música e o que esta deve transmitir." Com as informações em mãos, o músico entra em estúdio para compor a trilha original. "Quanto mais tempo tenho, mais é possível testar sonoridades e apresentar uma trilha totalmente original. Isso dá uma diferença gritante no produto final", enfatiza.
Segundo Santos, o perfil das produções brasileiras e norte-americanas é bem distinto. "No Brasil, sempre pedem algo mais experimental, com sons não convencionais. Já os americanos, geralmente, preferem composições voltadas ao entretenimento, em que há mistura de sintetizadores", explica ele, cujo primeiro estágio na área foi ao lado do compositor canadense Trenor Morris, que trabalhou em "Piratas do Caribe" e ganhou Grammy pelo tema de abertura da série de TV norte-americana "The Tudors".


